<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Joana Graça, autor em My Ginecologia</title>
	<atom:link href="https://myginecologia.pt/author/joanagracanewsfarma-pt/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://myginecologia.pt/author/joanagracanewsfarma-pt/</link>
	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica e outros profissionais de saúde dedicados à Ginecologia</description>
	<lastBuildDate>Mon, 13 Jul 2026 13:42:53 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>https://myginecologia.pt/wp-content/uploads/2025/07/Ginecologia-150x150.png</url>
	<title>Joana Graça, autor em My Ginecologia</title>
	<link>https://myginecologia.pt/author/joanagracanewsfarma-pt/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Estudo indica que a microbiota materna pode funcionar como biomarcador precoce de risco cardiometabólico nos filhos</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/estudo-indica-que-a-microbiota-materna-pode-funcionar-como-biomarcador-precoce-de-risco-cardiometabolico-nos-filhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 13:42:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myginecologia.pt/?p=215901</guid>

					<description><![CDATA[<p>A composição das bactérias que habitam o organismo da mãe pode servir como um indicador pioneiro para prever vulnerabilidades cardiometabólicas nos filhos. Esta perspetiva assume-se ainda como uma oportunidade estratégica para os profissionais de saúde desenharem planos alimentares capazes de gerar benefícios que se estendem por várias gerações. A conclusão provém de um projeto científico [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/estudo-indica-que-a-microbiota-materna-pode-funcionar-como-biomarcador-precoce-de-risco-cardiometabolico-nos-filhos/">Estudo indica que a microbiota materna pode funcionar como biomarcador precoce de risco cardiometabólico nos filhos</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A composição das bactérias que habitam o organismo da mãe pode servir como um indicador pioneiro para prever vulnerabilidades cardiometabólicas nos filhos. Esta perspetiva assume-se ainda como uma oportunidade estratégica para os profissionais de saúde desenharem planos alimentares capazes de gerar benefícios que se estendem por várias gerações. A conclusão provém de um projeto científico interdisciplinar que uniu a Faculdade de Medicina (FMUP), a Faculdade de Medicina Dentária (FMDUP) e o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), instituições integradas na Universidade do Porto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora as alterações que a gravidez provoca no aparelho cardiovascular da mulher já estivessem amplamente documentadas, subsistiam dúvidas sobre a forma como o regime alimentar e o microbioma influenciavam esse processo. Para responder a esta lacuna, a equipa recorreu à <em>coorte </em>de nascimento longitudinal PERIMYR/OralBioBorn, recolhendo amostras biológicas de fezes, saliva e sangue das grávidas, além de sangue do cordão umbilical dos recém-nascidos. O estudo foi complementado com a realização de ecocardiogramas às mães e aos bebés.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O protocolo de investigação estabeleceu fases de controlo: no terceiro trimestre de gestação (entre as 30 e as 35 semanas); três consultas de monitorização após o parto, fixadas ao primeiro, sexto e décimo segundo mês de vida do bebé.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a fase do pós-parto, um grupo de participantes foi integrado num programa de reeducação nutricional focado na promoção do padrão alimentar mediterrânico, recebendo manuais e boletins informativos mensais para apoio à confeção e escolhas diárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados obtidos confirmam uma correlação direta entre os perfis bacterianos presentes na saliva e nas fezes e os indicadores de saúde do músculo cardíaco.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Esta investigação demonstrou o envolvimento do eixo microbiota oral–intestinal–coração nas adaptações fisiológicas da gravidez e no período pós-parto&#8221;, esclarece Juliana Morais, investigadora da FMUP. A especialista evidencia o papel ativo que determinados grupos de microrganismos exercem nas dinâmicas e mutações que ocorrem ao nível do coração.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A análise aprofundou igualmente os mecanismos de &#8220;programação intergeracional&#8221;, revelando que a transmissão biológica do risco cardiometabólico ocorre por via da passagem de adipocinas e de ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) da progenitora para o feto. Os resultados validam que o bem-estar cardiovascular da mãe está intimamente ligado à presença de AGCC (gerados pelas bactérias do intestino) e ao equilíbrio entre a leptina e a adiponectina (hormonas produzidas pela placenta e pelo tecido adiposo, detetadas no cordão umbilical).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Juliana Morais, tanto os ácidos gordos de cadeia curta como as adipocinas avaliadas preenchem os requisitos para se tornarem potenciais biomarcadores de risco no binómio mãe-filho, oferecendo uma nova ferramenta de trabalho a médicos e nutricionistas no acompanhamento preventivo das famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigadora enfatiza que o foco clínico na mulher não deve esgotar-se com o nascimento do bebé. O período pós-parto representa uma fase crítica e maleável para compreender e reverter riscos de saúde que, de outra forma, poderiam perpetuar-se na linhagem familiar. Para responder a este desafio, a cientista recomenda abordagens multidimensionais que combinem, em simultâneo, exames cardiovasculares, avaliações nutricionais detalhadas e o mapeamento do microbioma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo conta com os contributos científicos de Inês Falcão Pires (FMUP/RISE-Health), Benedita Sampaio-Maia (FMDUP/i3S), Carla Ramalho (FMUP e obstetra na ULS São João) e Conceição Calhau (Universidade Nova de Lisboa). O projeto PERIMYR/OralBioBorn mantém o recrutamento de voluntárias grávidas ativo através dos canais institucionais da faculdade.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: FMUP</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/estudo-indica-que-a-microbiota-materna-pode-funcionar-como-biomarcador-precoce-de-risco-cardiometabolico-nos-filhos/">Estudo indica que a microbiota materna pode funcionar como biomarcador precoce de risco cardiometabólico nos filhos</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ULS São João: Equipa de Enfermagem arrecada 1.º prémio no CMIN Summit’26</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/uls-sao-joao-equipa-de-enfermagem-arrecada-1-o-premio-no-cmin-summit26/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 13:36:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myginecologia.pt/?p=215898</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uma equipa de enfermeiras do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de São João foi distinguida com o primeiro lugar nas Olimpíadas de Enfermagem do CMIN Summit’26. O evento, subordinado ao tema “Da Evidência à Inovação na Saúde Materno-Infantil”, serviu de palco para consagrar o projeto desenvolvido por Ana Rita [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/uls-sao-joao-equipa-de-enfermagem-arrecada-1-o-premio-no-cmin-summit26/">ULS São João: Equipa de Enfermagem arrecada 1.º prémio no CMIN Summit’26</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Uma equipa de enfermeiras do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de São João foi distinguida com o primeiro lugar nas Olimpíadas de Enfermagem do CMIN Summit’26. O evento, subordinado ao tema “Da Evidência à Inovação na Saúde Materno-Infantil”, serviu de palco para consagrar o projeto desenvolvido por Ana Rita Dias, Ana Gonçalves, Diana Mota e Joana Morais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto galardoado debruçou-se sobre a realidade e os obstáculos vividos pelas puérperas cujos filhos necessitam de ficar internados no Serviço de Neonatologia. A investigação colocou um foco particular nas estratégias e desafios associados à manutenção da lactação ao longo de todo o período de hospitalização dos recém-nascidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comissão organizadora justificou a atribuição do prémio máximo destacando três pilares fundamentais no trabalho das enfermeiras da ULS São João: a elevada qualidade científica do projeto submetido; o caráter inovador da abordagem proposta; o claro compromisso com a otimização contínua da assistência prestada ao binómio mãe-filho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este reconhecimento vem consolidar a aposta dos profissionais da ULS São João no desenvolvimento de cuidados de saúde altamente especializados, humanizados e sustentados pela evidência científica, promovendo um impacto positivo direto nos indicadores de saúde materna e neonatal.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: ULS de São João</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/uls-sao-joao-equipa-de-enfermagem-arrecada-1-o-premio-no-cmin-summit26/">ULS São João: Equipa de Enfermagem arrecada 1.º prémio no CMIN Summit’26</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ameaça invisível: estudo alerta para o avanço das resistências antifúngicas e falhas na vigilância nacional</title>
		<link>https://myginecologia.pt/opiniao/ameaca-invisivel-estudo-alerta-para-o-avanco-das-resistencias-antifungicas-e-falhas-na-vigilancia-nacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 11:25:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myginecologia.pt/?p=215885</guid>

					<description><![CDATA[<p>As infeções fúngicas continuam a causar cerca de 3,8 milhões de mortes anuais a nível global. Num artigo de opinião assinado pela investigadora Raquel Sabino, do Research Institute for Medicines da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, traça o retrato detalhado desta realidade no nosso país, tendo por base as conclusões do trabalho “Candida and candidiasis in Portugal: [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/opiniao/ameaca-invisivel-estudo-alerta-para-o-avanco-das-resistencias-antifungicas-e-falhas-na-vigilancia-nacional/">Ameaça invisível: estudo alerta para o avanço das resistências antifúngicas e falhas na vigilância nacional</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As infeções fúngicas continuam a causar cerca de 3,8 milhões de mortes anuais a nível global. Num artigo de opinião assinado pela investigadora <strong>Raquel Sabino, </strong>do <em>Research Institute for Medicines</em> da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, traça o retrato detalhado desta realidade no nosso país, tendo por base as conclusões do trabalho “Candida and candidiasis in Portugal: Past situation, current trends and future challenges”. A autora alerta para uma mudança preocupante no perfil epidemiológico nacional: embora a <em>Candida albicans</em> continue a ser o agente mais isolado, assiste-se a uma emergência nítida de espécies não-albicans multirresistentes e com elevada capacidade de contágio hospitalar, como a <em>Candida parapsilosis</em> e a temida <em>Candidozyma auris</em> (ou <em>Candida auris</em>), cujo primeiro caso em Portugal foi isolado em 2023. Cruzando dados recentes de estudos multicêntricos e análises do Instituto Ricardo Jorge (INSA), a especialista expõe as implicações clínicas diretas do consumo desregulado de antifúngicos de venda livre para infeções superficiais (como a candidíase vulvovaginal e onicomicoses) e aponta as principais lacunas do sistema nacional. Em nome do avanço científico e da segurança dos doentes, Raquel Sabino defende a criação urgente de uma rede de notificação obrigatória e de vigilância sistemática, alinhada com as diretrizes globais da Organização Mundial da Saúde (OMS).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A problemática das infeções fúngicas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As infeções fúngicas representam um importante problema de Saúde Pública, embora continuem a ser amplamente subestimadas.&nbsp; Com uma carga global significativa, elevada mortalidade e crescente resistência aos antifúngicos, estas infeções devem ser reconhecidas como uma prioridade, quer a nível nacional quer global.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De facto, no seu contexto mais amplo, estima-se em termos globais que cerca de 6,5 milhões de pessoas desenvolvam anualmente infeções desta etiologia, resultando em aproximadamente 3,8 milhões de mortes por ano, das quais cerca de 2,5 milhões são diretamente atribuíveis à infeção fúngica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar destes números, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que existe uma profunda lacuna de dados, resultante da ausência, em muitos países, de diagnóstico eficiente e de sistemas de vigilância, acompanhados pela subnotificação destas infeções. Esta invisibilidade epidemiológica é um dos principais obstáculos à definição de políticas eficazes para mitigação destas infeções.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Infeções fúngicas causadas por </strong><strong><em>Candida</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As infeções por <em>Candida</em> são atualmente reconhecidas como uma das principais causas de infeção fúngica em humanos, abrangendo desde formas superficiais até infeções invasivas potencialmente fatais. A candidemia, em particular, constitui uma das infeções nosocomiais mais graves, associada a elevada morbilidade, mortalidade e custos hospitalares significativos.&nbsp;As infeções sistémicas causadas por espécies do género <em>Candida</em> têm aumentado nas últimas décadas, principalmente devido ao aumento da esperança média de vida, a expansão do uso de dispositivos invasivos (utilização de cateteres, ventilação mecânica, alimentação parentérica), a multiplicação de terapias imunossupressoras e o crescimento das populações vulneráveis.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estima-se, assim, que cerca de 1,5 milhões de casos de candidemia e candidíase invasiva ocorram anualmente, resultando em aproximadamente 995 mil mortes. A realidade portuguesa reflete estas tendências globais, mas com especificidades que importa analisar criticamente. Estimativas epidemiológicas realizadas em 2017 indicam uma incidência de candidemia de cerca de 2,19 casos por 100 000 habitantes, correspondente a aproximadamente 231 casos anuais. Ainda que estes valores possam parecer relativamente baixos, devem ser interpretados à luz de dois fatores críticos: subnotificação e ausência de sistemas de vigilância sistemáticos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da avaliação dos números associados a este microorganismo, a evolução do perfil epidemiológico de <em>Candida</em> é de extrema relevância. Embora <em>Candida albicans</em> continue a ser a espécie mais frequentemente isolada em Portugal, tal como os outros países, tem-se assistido a uma mudança progressiva do domínio de <em>C. albicans</em> para um cenário mais diversificado, com aumento significativo do número de infeções causadas por espécies não-<em>albicans</em>, como <em>Candida parapsilosis</em> e <em>Nakaseomyces glabratus</em> (anteriormente designada <em>Candida glabrata</em>).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>C. parapsilosis, </em>classificada pela OMS como fungo de prioridade elevada, representa atualmente cerca de 20–25% dos isolados em hemoculturas e apresenta uma prevalência particularmente elevada em regiões como o Sul da Europa (incluindo Portugal, Espanha, Grécia, Itália e Turquia), América Latina, partes da Ásia e Médio Oriente. Já <em>N. glabratus</em> é, a seguir a <em>C. albicans</em>, a espécie de <em>Candida</em> mais frequentemente isolada no Norte da Europa e América do Norte. Estas mudanças epidemiológicas têm implicações clínicas diretas. <em>C. parapsilosis</em>, frequentemente associada a infeções relacionadas com dispositivos médicos, apresenta elevada capacidade de formação de biofilmes que favorecem a sua persistência e transmissão hospitalar e começa já a apresentar resistências adquiridas aos antifúngicos, nomeadamente ao fluconazol. Já <em>N. glabratus</em> caracteriza-se por uma menor suscetibilidade intrínseca ao fluconazol. Estas características dificultam as abordagens terapêuticas convencionais em ambos os casos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais preocupante ainda é a emergência de espécies multirresistentes, como <em>Candidozyma auris </em>(anteriormente designada por <em>Candida auris</em>). Este microrganismo, já classificado como ameaça global, apresenta frequentemente resistência intrínseca a múltiplas classes de antifúngicos e capacidade de causar surtos hospitalares. Em alguns casos, os isolados mostraram resistência simultânea a fluconazol, anfotericina B e equinocandinas, reduzindo drasticamente as opções terapêuticas. Classificada pela OMS como fungo de prioridade crítica, <em>C. auris</em> apresenta taxas de mortalidade que podem atingir 30–60% em candidemia. Desde a sua identificação, disseminou-se rapidamente, com mais de 84 000 casos reportados em 82 países até 2025. Na Europa, a situação também é preocupante: mais de 4 000 casos foram reportados entre 2013 e 2023. O European Center for Disease Control (ECDC) sublinha que estes números representam apenas uma fração do problema real, dada a ausência de vigilância sistemática em muitos contextos. Em Portugal, foram reportados, até ao momento, quatro casos ao ECDC. A vigilância realizada em unidades de cuidados intensivos (UCI) de dois hospitais portugueses da região de Lisboa e Vale do Tejo entre 2020 e 2022 não detetou a presença de <em>C. auris</em>. Em 2023, foi reportado o primeiro caso de <em>C. auris</em> isolada em Portugal. O doente tinha sido transferido de Angola para uma UCI de um hospital de Lisboa para realização de um transplante hepático, após uma infeção por SARS-CoV-2. Neste caso, não foi possível determinar se <em>C. auris</em> constituía o agente etiológico da infeção ou se correspondia apenas a colonização. No mesmo ano, num hospital de referência do norte de Portugal, foram obtidos oito isolados de <em>C. auris</em> epidemiologicamente relacionados, provenientes de doentes colonizados e infetados, sugerindo um potencial risco para a saúde pública, em consonância com a tendência observada noutros países da União Europeia. Tal como nos restantes países europeus, a deteção e a caracterização de <em>C. auris</em> não é realizada de forma prospetiva na maior parte dos casos, o que contribui para uma subdeteção e subnotificação. Na ausência de um sistema de vigilância implementado, a verdadeira incidência da infeção nos diferentes contextos assistenciais permanece desconhecida. Além disso, os dados nacionais relativos à presença ambiental de <em>C. auris</em> em ambiente hospitalar e noutros são ainda escassos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a candidemia representa a face mais dramática do problema, as infeções superficiais constituem a sua dimensão mais ampla e frequentemente negligenciada. A nível global, estima-se que cerca de 75% das mulheres terão pelo menos um episódio de candidíase vulvovaginal ao longo da vida, e que 138 milhões sofram de formas recorrentes anualmente. Em Portugal, a candidíase vulvovaginal apresenta prevalências significativas, podendo atingir cerca de 20,5% nas mulheres sintomáticas. Num estudo publicado recentemente pelo Instituto Ricardo Jorge (INSA), analisaram-se, no período compreendido entre 2019 e 2025, 582 isolados de <em>Candida</em> provenientes de exsudados vaginais.&nbsp; Em 86,9% dos casos foi isolada <em>C. albicans</em>, seguida de <em>C. parapsilosis</em> (4,4%), <em>N. glabratus</em> (3.7%), <em>Clavispora</em> <em>lusitaneae</em> (anteriormente designada por <em>Candida lusitaneae</em>) (1,2%), e <em>Meyerozyma guilliermondii</em> (anteriormente designada por <em>Candida guilliermondii</em>) (0,8%). Relativamente às onicomicoses causadas por <em>Candida</em>, e de acordo com um estudo multicêntrico realizado pela Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, abrangendo o período de 2014 a 2016, dos 2375 agentes fúngicos isolados, 13% eram leveduras, sendo <em>C. albicans</em> e <em>C. parapsilosis</em> as espécies mais frequentemente isoladas, com frequências de 38,5% e 22%, respetivamente. Já no estudo publicado recente pelo INSA, do total de 409 isolados de <em>Candida</em> provenientes de unhas, 59,4% foram identificadas como <em>C. parapsiloisis</em>, 11,0% como <em>C. albicans</em> e 9.9% como <em>M. guilliermondii</em>. Foram ainda isoladas, com menor frequência, outras espécies de <em>Candida</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resistência aos antifúngicos em </strong><strong><em>Candida</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No que respeita à problemática das resistências aos antifúngicos, para além do aumento progressivo da prevalência de espécies não-<em>albicans</em> (algumas com suscetibilidade reduzida ou resistências intrínsecas, por vezes a mais de uma classe de antifúngico, como já discutido anteriormente), têm-se também verificado variações geográficas importantes não só na distribuição de algumas espécies, mas também na frequência da resistência aos antifúngicos, como se verifica por exemplo em <em>C. parapsilosis</em>. De facto, desde cerca de 2018, múltiplos estudos internacionais têm descrito surtos hospitalares causados por estirpes de <em>C. parapsilosis </em>resistentes ao fluconazol. Estes surtos estão frequentemente associados à transmissão clonal do agente e persistência prolongada dos doentes em ambientes hospitalares, mesmo sob medidas rigorosas de controlo de infeção. Nos estudos apresentados, a frequência de resistência ao fluconazol é variável, mas atinge valores muito elevados (&gt;60%) em Espanha e na Turquia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, embora a frequência de resistência ao fluconazol em <em>C. parapsilosis </em>ainda seja moderada, os dados mais recentes evidenciam uma clara emergência dessa resistência. Um estudo baseado na análise de isolados recolhidos entre 2003–2007 e entre 2017–2024, demonstrou uma mudança temporal marcada pela ausência de resistência nos isolados mais antigos (2003-2007), mas observou-se uma emergência recente de resistência com uma frequência de ~8,5% (2017–2024), estando esta resistência associada à presença de mutações Y132F e R398I no gene ERG11.&nbsp; Foram ainda detetadas alterações adicionais em genes associados a bombas de efluxo (MDR1, CDR1), sugerindo mecanismos combinados de resistência. A resistência ao fluconazol em <em>C. parapsilosis</em> constitui atualmente um desafio emergente de saúde pública, com impacto clínico significativo e limitação das opções terapêuticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra preocupação associada à emergência de resistências em <em>Candida</em> prende-se como facto de alguns dos antifúngicos utilizados no tratamento das infeções superficiais por causadas por <em>Candida</em> não requerem prescrição médica, nem avaliação clínica, facilitando o acesso aos mesmos e promovendo a sua utilização autónoma. Consequentemente, a sua utilização potencialmente inadequada pode contribuir para o aumento da pressão seletiva sobre fungos do género <em>Candida</em> e aumento das resistências antifúngicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Considerações pessoais e perspetivas futuras</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas as questões apresentadas até este momento mostram a pertinência da realização de estudos nesta temática. Em Portugal, para além de estudos clínicos, estão a ser desenvolvidas várias linhas de investigação quer em biologia fundamental quer em inovação e investigação aplicada. Estas áreas de desenvolvimento incluem a análise da estrutura dos biofilmes, estudos genómicos, identificação de novos fatores de virulência, mecanismos de patogénese, desenvolvimento e avaliação de compostos com atividade antifúngica e novas estratégias terapêuticas. Este crescente envolvimento da comunidade científica portuguesa reflete a importância de <em>Candida</em> como agente patogénico e o compromisso em reduzir a morbilidade e mortalidade associadas às infeções por este fungo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar destes avanços, Portugal continua a apresentar limitações na disponibilidade de dados nacionais sobre a incidência das candidíases, a distribuição das espécies e os perfis de resistência antifúngica. A ausência de notificação obrigatória das infeções fúngicas e a falta de estudos de abrangência nacional dificulta uma caracterização epidemiológica detalhada. Adicionalmente a estas necessidades, a implementação de métodos de diagnóstico rápido e identificação molecular, a utilização sistemática de dados locais na decisão terapêutica e a integração de abordagens interdisciplinares no contexto “One Health” são essenciais para mitigar a elevada prevalência destas infeções, especialmente num contexto de mudanças demográficas e das práticas de cuidados de saúde. Estas medidas estão alinhadas com recomendações internacionais e nacionais, nomeadamente as apontadas pelo plano estratégico (<em>Blueprint</em>) da OMS e pela Associação Portuguesa de Micologia Médica, que enfatizam a necessidade de investimento em diagnóstico, investigação e sistemas de vigilância para conter esta ameaça emergente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências bibliográficas</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Denning DW. Global incidence and mortality of severe fungal disease. Lancet Infect Dis. 2024;24:e428–38,http://dx.doi.org/10.1016/S1473-3099(23)00692-8.16&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escribano P, Guinea J. Fluconazole-resistant Candida parapsilosis: anew emerging threat in the fungi arena. Front Fungal Biol. 2022;3,http://dx.doi.org/10.3389/ffunb.2022.1010782, 1010782.17.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">European Centre for Disease Prevention and Control. Survey on the epidemiological situation, laboratory capacity and preparedness for Candidozyma (Candida)auris, 2024. ECDC; 2025.18</p>



<p class="wp-block-paragraph">Henriques J, Mixão V, Cabrita J, Duarte TI, Sequeira T, Cardoso S, et al. Candidaauris in intensive care setting: the first case reported in Portugal. J Fungi (Basel).2023;9:837, <a href="http://dx.doi.org/10.3390/jof9080837.25">http://dx.doi.org/10.3390/jof9080837.25</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Miranda IM, Gonc¸ alves MFM, Pinheiro D, Hilário S, Paiva JA, Guimarães JT, et al. First report of Candida auris candidemia in Portugal: genomic charac-terisation and antifungal resistance-associated genes analysis. J Fungi (Basel).2025;11:716, <a href="http://dx.doi.org/10.3390/jof11100716">http://dx.doi.org/10.3390/jof11100716</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Papuc AM, Veríssimo C, Simões H, Toscano C, Gomes JP, Mixão V,et al. Phenotypic and genomic characterization of azole resistancein Portuguese Candida parapsilosis isolates. Front Fungal Biol. 2025;6,http://dx.doi.org/10.3389/ffunb.2025.1713961, 1713961.34</p>



<p class="wp-block-paragraph">Papuc AM, Pimenta M, Simões H, Verissímo C, Sabino R, Gargaté MJ. Infeções fúngicas: estudo retrospetivo sobre casos de infeções e colonização por leveduras diagnosticados no INSA entre 2019 e 2025. Boletim Observações. Junho 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pereira MIR [Tese de mestrado] A prevalência de Candida spp no Centro Hospitalarda Cova da Beira; 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rato M, Costin A, Furtado C, Sousa C, Toscano C, Veríssimo C.Epidemiology of superficial fungal infections in Portugal: 3-year review (2014–2016). J Port Soc Dermatol Venereol. 2018;76:269–78,http://dx.doi.org/10.29021/spdv.76.3.910.42</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabino R, Antunes F, Araujo R, Bezerra AR, Brandão J, Carneiro C, et al. Addressing critical fungal pathogens under a One Health perspective: key insights fromthe Portuguese Association of Medical Mycology. Mycopathologia. 2025;190:73,http://dx.doi.org/10.1007/s11046-025-00981-3.44</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabino R, Verissímo C, Brandão J, Martins C, Alves D, Pais C, et al. Serious fungal infections in Portugal. Eur J Clin Microbiol Infect Dis. 2017;36:1345–52,http://dx.doi.org/10.1007/s10096-017-2930-y&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">World Health Organization. WHO fungal priority pathogens list to guide research, development and public health action. Geneva: World Health Organization; 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">World Health Organization. Blueprint for strengthening responses to fungal disease and antifungal resistance: implementation guidance. Geneva: World Health Organization; 2026. ISBN: 978-92-4-012252-9.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/opiniao/ameaca-invisivel-estudo-alerta-para-o-avanco-das-resistencias-antifungicas-e-falhas-na-vigilancia-nacional/">Ameaça invisível: estudo alerta para o avanço das resistências antifúngicas e falhas na vigilância nacional</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Obstipação na mulher: uma condição frequente, multifatorial e frequentemente desvalorizada</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/obstipacao-na-mulher-uma-condicao-frequente-multifatorial-e-frequentemente-desvalorizada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 15:07:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myginecologia.pt/?p=215875</guid>

					<description><![CDATA[<p>A obstipação crónica continua a ser uma das queixas gastrointestinais mais frequentes na prática clínica, afetando milhões de pessoas em todo o mundo e assumindo particular relevância na saúde da mulher. Apesar da elevada prevalência e do impacto significativo no bem-estar físico e emocional, continua a ser uma condição frequentemente subvalorizada, atrasando o diagnóstico, a [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/obstipacao-na-mulher-uma-condicao-frequente-multifatorial-e-frequentemente-desvalorizada/">Obstipação na mulher: uma condição frequente, multifatorial e frequentemente desvalorizada</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A obstipação crónica continua a ser uma das queixas gastrointestinais mais frequentes na prática clínica, afetando milhões de pessoas em todo o mundo e assumindo particular relevância na saúde da mulher. Apesar da elevada prevalência e do impacto significativo no bem-estar físico e emocional, continua a ser uma condição frequentemente subvalorizada, atrasando o diagnóstico, a abordagem adequada e a melhoria da qualidade de vida das doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres apresentam uma prevalência de obstipação significativamente superior à dos homens, numa proporção aproximada de 3:1<sup>(1)</sup>, realidade influenciada por múltiplos fatores hormonais, fisiológicos e comportamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo das diferentes fases da vida feminina, incluindo gravidez<sup>(2)</sup>, pós-parto<sup>(3)</sup> e período pós-menopausa<sup>(4)</sup>, esta condição tende a assumir maior expressão clínica, podendo manifestar-se através de dificuldade evacuativa persistente, sensação de evacuação incompleta, distensão abdominal, desconforto gastrointestinal e impacto na rotina diária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos indicam que, durante a gravidez<sup>(2)</sup>, as alterações hormonais e a diminuição da motilidade intestinal contribuem frequentemente para o aparecimento ou agravamento da obstipação. Também no período pós-parto<sup>(3)</sup>, esta condição continua a ter um impacto relevante, sendo muitas vezes associada a desconforto físico, dor e limitação funcional. Já nas mulheres pós-menopausa, a obstipação continua a ser frequentemente reportada, com impacto relevante no conforto e qualidade de vida<sup>(4)</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da sua elevada frequência, muitas mulheres continuam a normalizar os sintomas ou a evitar falar sobre o tema, adiando a procura de aconselhamento junto dos profissionais de saúde. Neste contexto, a sensibilização para a obstipação feminina e para a importância de uma abordagem terapêutica adequada assume um papel particularmente relevante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As recomendações europeias atuais identificam o macrogol como terapêutica de primeira linha para o tratamento da obstipação crónica<sup>(5)</sup>. O macrogol 4000 atua através de um mecanismo osmótico, promovendo a retenção de água no lúmen intestinal, aumentando a hidratação das fezes e facilitando a evacuação sem provocar habituação<sup>(6)</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da eficácia terapêutica, fatores como tolerabilidade, palatabilidade, conveniência e adesão ao tratamento assumem hoje uma importância crescente, sobretudo numa condição frequentemente recorrente e de evolução prolongada. Formulações sem eletrólitos<sup>(7,8)</sup> e praticamente isentas de sódio<sup>(6)</sup> podem representar uma opção particularmente relevante em populações específicas, incluindo grávidas, mulheres a amamentar e doentes com necessidade de restrição de sódio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste enquadramento, Casenlax® disponibiliza uma abordagem baseada em macrogol 4000, associando eficácia comprovada, elevada tolerabilidade<sup>(7)</sup> e praticidade de utilização. A nova solução oral pronta a tomar<sup>(6)</sup> surge como uma opção adaptada às necessidades do quotidiano, respondendo à crescente procura por soluções simples, convenientes e facilmente integráveis na rotina diária das doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Promover maior consciencialização para a obstipação feminina e para o impacto desta condição nas diferentes etapas da vida da mulher continua a ser essencial para uma abordagem mais próxima, informada e centrada na qualidade de vida.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li class="has-small-font-size">SUARES, Nicole C.; FORD, Alexander C. <em>Prevalence of and risk factors for chronic idiopathic constipation in the community: systematic review and meta-analysis</em>. The American Journal of Gastroenterology. 2011;106(9):1582–1591. doi:10.1038/AJG.2011.164.</li>



<li class="has-small-font-size">SALARI, Nader et al. <em>Global prevalence of constipation during pregnancy: a systematic review and meta-analysis</em>. BMC Pregnancy and Childbirth. 2024;24(1):836. doi:10.1186/S12884-024-07057-Y.</li>



<li class="has-small-font-size">KURONEN, M. et al. <em>Pregnancy, puerperium and perinatal constipation &#8211; an observational hybrid survey on pregnant and postpartum women and their age-matched non-pregnant controls</em>. BJOG. 2021;128(6):1057–1064. doi:10.1111/1471-0528.16559.</li>



<li class="has-small-font-size">OLIVEIRA, Simone Caetano Morale de et al. <em>Constipation in postmenopausal women</em>. Revista da Associação Médica Brasileira. 2005;51(6):334–341. doi:10.1590/S0104-42302005000600017.</li>



<li class="has-small-font-size">SERRA, J. et al. <em>European Society of Neurogastroenterology and Motility guidelines on functional constipation in adults</em>. Neurogastroenterology &amp; Motility. 2019;00:e13762.</li>



<li class="has-small-font-size">RCM Casenlax® Solução Oral em Saquetas / RCM Casenlax® Pó para Solução Oral.</li>



<li class="has-small-font-size">WILLIAMSON, K. <em>Macrogol (polyethylene glycol) 4000 without electrolytes in the symptomatic treatment of chronic constipation: a profile of its use</em>. Drugs &amp; Therapy Perspectives. 2018;34:300–310.</li>



<li class="has-small-font-size">KATELARIS, P. et al. <em>Comparison of the effectiveness of polyethylene glycol with and without electrolytes in constipation: a systematic review and network meta-analysis</em>. BMC Gastroenterology. 2016;16:42.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Consulte as IECRCM <a href="https://myginecologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/casenlax_iecrcm_dosagenscompiladas.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">PT-CASLA-0052.26</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/obstipacao-na-mulher-uma-condicao-frequente-multifatorial-e-frequentemente-desvalorizada/">Obstipação na mulher: uma condição frequente, multifatorial e frequentemente desvalorizada</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Infeções sexualmente transmissíveis batem recordes na Europa com falhas na prevenção e custos nos testes</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/infecoes-sexualmente-transmissiveis-batem-recordes-na-europa-com-falhas-na-prevencao-e-custos-nos-testes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 11:33:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myginecologia.pt/?p=215841</guid>

					<description><![CDATA[<p>O avanço das infeções sexualmente transmissíveis (IST) na Europa atingiu marcas históricas. De acordo com o mais recente balanço do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), o continente enfrenta um agravamento acentuado nos diagnósticos de gonorreia e sífilis, impulsionado por lacunas na prevenção e no acesso ao rastreio. Os dados estatísticos revelam [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/infecoes-sexualmente-transmissiveis-batem-recordes-na-europa-com-falhas-na-prevencao-e-custos-nos-testes/">Infeções sexualmente transmissíveis batem recordes na Europa com falhas na prevenção e custos nos testes</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O avanço das infeções sexualmente transmissíveis (IST) na Europa atingiu marcas históricas. De acordo com o mais recente balanço do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), o continente enfrenta um agravamento acentuado nos diagnósticos de gonorreia e sífilis, impulsionado por lacunas na prevenção e no acesso ao rastreio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados estatísticos revelam um cenário preocupante:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Clamídia:</strong> Mantém-se como a IST mais prevalente na Europa, liderando a tabela com 213 443 infeções reportadas;</li>



<li><strong>Gonorreia:</strong> Registou 106 331 casos, traduzindo-se num disparo gigante quando comparado com os valores de 2015;</li>



<li><strong>Sífilis:</strong> Mais do que duplicou face ao mesmo ano de referência, fixando-se nos 45 577 casos;</li>



<li><strong>Linfogranuloma venéreo:</strong> Manifesta uma &#8220;transmissão contínua&#8221;, somando 3 490 episódios.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O ECDC sublinha que a subida destas patologias bacterianas — que alcançaram os valores mais altos em mais de uma década — acarreta riscos severos a longo prazo. Se não forem devidamente tratadas, estas infeções podem evoluir para infertilidade, dor crónica e, no caso particular da sífilis, comprometer gravemente os sistemas cardiovascular e nervoso.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Alerta vermelho para a sífilis congénita</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos indicadores que mais sobressai nos relatórios prende-se com a transmissão da sífilis de grávidas para os fetos. Bruno Ciancio, responsável pela Unidade de Doenças de Transmissão Direta e Preveníveis por Vacinação do ECDC, classificou como &#8220;mais preocupante&#8221; a duplicação praticamente direta da sífilis congénita, que saltou de 78 casos para 140 casos em 14 países analisados. Este aumento de quase 100% expõe os recém-nascidos a sequelas potencialmente definitivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fenómeno está associado ao crescimento da sífilis na população heterossexual, especialmente em mulheres em idade fértil. Os peritos apontam que esta realidade reflete oportunidades perdidas na Saúde Pública, nomeadamente falhas nos exames pré-natais, ausência de repetição de testes ao longo da gestação e atrasos no tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, a transmissão não afeta todos os grupos da mesma forma: a longo prazo, os homens que têm sexo com homens continuam a ser o grupo afetado de forma desproporcional pelas subidas de gonorreia e sífilis.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Barreiras financeiras e estratégias obsoletas</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório europeu expõe ainda fragilidades estruturais no combate às IST. Dos 29 países que disponibilizaram dados, 13 continuam a cobrar aos cidadãos a realização de testes laboratoriais básicos. A par disso, o ECDC nota que muitas estratégias nacionais estão desatualizadas e falham por não contabilizarem as alterações de comportamento social que ocorreram no pós-pandemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perante este quadro de &#8220;transmissão sustentada&#8221;, as recomendações do organismo europeu são claras: melhorar e acelerar os protocolos de triagem pré-natal para diagnosticar a sífilis precocemente e travar a transmissão fetal; o ECDC lembra que disponibilizou orientações sobre o uso de doxiciclina como profilaxia pós-exposição (doxi-PEP) para travar novos contágios; Bruno Ciancio recorda que a proteção permanece simples através do uso do preservativo com novos ou múltiplos parceiros e da realização de testes perante sintomas como úlceras, corrimento ou dor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para reverter esta tendência epidemiológica, o ECDC apela às tutelas da Saúde Pública que atualizem as suas estratégias vigentes, facilitem o acesso gratuito aos diagnósticos e otimizem os mecanismos de notificação de parceiros para quebrar as cadeias de transmissão ativa.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: LUSA</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/infecoes-sexualmente-transmissiveis-batem-recordes-na-europa-com-falhas-na-prevencao-e-custos-nos-testes/">Infeções sexualmente transmissíveis batem recordes na Europa com falhas na prevenção e custos nos testes</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>HPV: Alargamento da vacina até aos 26 anos é “passo fantástico” rumo à eliminação do cancro do colo do útero</title>
		<link>https://myginecologia.pt/entrevistas/hpv-alargamento-da-vacina-ate-aos-26-anos-e-passo-fantastico-rumo-a-eliminacao-do-cancro-do-colo-do-utero/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 15:12:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myginecologia.pt/?p=215819</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou o alargamento da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) no Programa Nacional de Vacinação (PNV) a homens e mulheres até aos 26 anos. A medida, que reforça o compromisso nacional para a eliminação das doenças e cancros associados ao vírus, é encarada pela comunidade médica como uma decisão estratégica [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/entrevistas/hpv-alargamento-da-vacina-ate-aos-26-anos-e-passo-fantastico-rumo-a-eliminacao-do-cancro-do-colo-do-utero/">HPV: Alargamento da vacina até aos 26 anos é “passo fantástico” rumo à eliminação do cancro do colo do útero</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou o alargamento da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) no Programa Nacional de Vacinação (PNV) a homens e mulheres até aos 26 anos. A medida, que reforça o compromisso nacional para a eliminação das doenças e cancros associados ao vírus, é encarada pela comunidade médica como uma decisão estratégica fundamental. Para Amália Pacheco, ginecologista no Hospital Privado de Loulé, este prolongamento da idade vacinal abre uma &#8220;grande janela de oportunidade&#8221; para proteger novas franjas da população e consolidar a posição de liderança de Portugal na prevenção oncológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o 3.º Congresso Nacional Ginecologia em MGF, decorrido em Lisboa, a especialista foi questionada sobre a novidade, pois a inclusão de homens jovens nesta nova fase do PNV assume-se como um pilar central para quebrar o ciclo de transmissão do HPV. Ao garantir o acesso à vacina, o programa não só assegura a proteção direta dos homens contra patologias oncológicas como o cancro do pénis e do ânus, mas fomenta também uma imunidade de grupo crucial. Esta barreira indireta reduz a circulação global do vírus na comunidade, protegendo a população independentemente do género ou da orientação sexual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em reação a este marco na Saúde Pública, Amália Pacheco classifica a medida como &#8220;um passo fantástico em Portugal&#8221;. A especialista lembra que, embora o país apresente excelentes indicadores no género feminino, o cenário nos jovens do sexo masculino ainda carece de reforço, uma vez que a cobertura vacinal para os rapazes se iniciou mais tarde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a ginecologista do Hospital Privado de Loulé, o alargamento até aos 26 anos traz vantagens em duas frentes prioritárias. Por um lado, funciona como um resgate para os jovens residentes que anteriormente falharam o plano: &#8220;Será uma boa altura de nós voltarmos a insistir outra vez&#8221;, sublinha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a médica aponta para a importância de adequar o PNV à nova realidade demográfica do país, marcada pelo aumento dos fluxos migratórios. &#8220;Temos atualmente uma população imigrante em Portugal. Temos pessoas que vêm de outros países para o nosso onde não foram vacinados&#8221;, alerta a ginecologista, reforçando que a nova meta etária permite acolher e proteger estes cidadãos que não tiveram acesso à imunização nos seus países de origem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portugal destaca-se internacionalmente pela elevada adesão às metas da Direção-Geral da Saúde, uma realidade que importa capitalizar. &#8220;Sabemos nós que no ranking somos o país que tem a maior cobertura vacinal&#8221;, orgulha-se a especialista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com esta atualização do Programa Nacional de Vacinação, as perspetivas de futuro tornam-se ainda mais ambiciosas no combate à doença. &#8220;Daqui por uns anos, podemos dizer que Portugal vai estar num caminho excecional em termos da diminuição do cancro do colo do útero com maior taxa de vacinação&#8221;, antevê Amália Pacheco, perspetivando um país na vanguarda da erradicação dos cancros provocados pelo HPV.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O 3.º Congresso Nacional Ginecologia em MGF decorreu entre 21 e 22 de maio, em Lisboa.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/entrevistas/hpv-alargamento-da-vacina-ate-aos-26-anos-e-passo-fantastico-rumo-a-eliminacao-do-cancro-do-colo-do-utero/">HPV: Alargamento da vacina até aos 26 anos é “passo fantástico” rumo à eliminação do cancro do colo do útero</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>HPV31 surge como o tipo mais prevalente em estudo nacional de Cuidados de Saúde Primários</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/hpv31-surge-como-o-tipo-mais-prevalente-em-estudo-nacional-de-cuidados-de-saude-primarios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 13:39:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myginecologia.pt/?p=215799</guid>

					<description><![CDATA[<p>A interna de Medicina Geral e Familiar da USF Prelada, Mariana Bandeira, em nome da equipa de investigação do estudo “Epidemiological Profile of Human Papillomavirus in a Healthcare Center in Portugal: Implications for Public Health Policies”, respondeu sobre os achados, que revelam uma alteração no perfil epidemiológico do HPV de alto risco nos Cuidados de [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/hpv31-surge-como-o-tipo-mais-prevalente-em-estudo-nacional-de-cuidados-de-saude-primarios/">HPV31 surge como o tipo mais prevalente em estudo nacional de Cuidados de Saúde Primários</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A interna de Medicina Geral e Familiar da USF Prelada, <strong>Mariana Bandeira</strong>, em nome da equipa de investigação do estudo “Epidemiological Profile of Human Papillomavirus in a Healthcare Center in Portugal: Implications for Public Health Policies”, respondeu sobre os achados, que revelam uma alteração no perfil epidemiológico do HPV de alto risco nos Cuidados de Saúde Primários em Portugal. O HPV31 é agora o tipo mais prevalente, e os genótipos 16/18 (incluídos na vacina inicial) representam apenas 15,57% das infeções. A equipa sugere que esta mudança é compatível com o impacto da vacinação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos resultados centrais foi a identificação do HPV31 como o tipo mais frequente, sendo que apenas 15,57% das infeções correspondiam aos tipos 16/18. “A distribuição observada (…) sugere sobretudo uma mudança de padrão de prevalência, compatível com o impacto da vacinação e características regionais, mas não prova intersubstituição de tipos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A verdadeira substituição implicaria que “ao removermos 16/18, outros tipos ocupariam esse nicho e aumentariam em termos absolutos”, algo que “a evidência global até agora mostra pouco ou nenhum sinal robusto”. Pelo contrário, “a maioria dos estudos epidemiológicos encontra associações positivas (coinfecções frequentes) entre tipos”, sugerindo coexistência entre diferentes genótipos. Assim, os autores defendem que os resultados refletem sobretudo “mudança na proporção relativa dos tipos de HPV identificados, do que um aumento verdadeiro causado pela vacina”. Neste sentido, “o mais prudente será falar em mudança de padrão de prevalência”, resultante de “vários fatores, incluindo vacinação, coorte etária e contexto regional”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista da Saúde Pública, os investigadores sublinham que “estes valores reforçam a importância de vacinas multivalentes (…) e do rastreio baseado em HPV de alto risco no conjunto, e não apenas em 16/18”. A baixa proporção destes tipos pode relacionar-se com “o impacto real da vacinação nas coortes mais jovens”, com “diferenças regionais de circulação de HPV” ou com “o desenho e período do estudo” que ocorreu entre “2015–2018 e [contempla] apenas duas unidades de Cuidados Primários específicas”. Além disso, embora o Programa Nacional de Vacinação utilize atualmente a vacina nonavalente, muitas mulheres incluídas no estudo “não pertencem às coortes vacinadas em idade escolar”, o que pode explicar a persistência de determinados genótipos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro resultado relevante foi a elevada frequência de coinfecções: “34,1% das mulheres apresentava coinfecções por vários tipos de HPV”. Este achado demonstra que “vários tipos circulam em simultâneo” e “apoia o uso de testes que detetam um painel de HPV de alto risco e não apenas tipos isolados”. Além disso, as coinfecções sugerem que “os tipos de HPV não parecem ‘excluir-se’ entre si”, reforçando a importância de “manter alta cobertura vacinal, para reduzir globalmente a circulação dos tipos de alto risco”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista clínico, os autores salientam que “o maior determinante de risco continua a ser a persistência de um tipo de alto risco (especialmente 16) e não tanto o número de tipos presentes num dado momento”, devendo a gestão clínica centrar-se “no tipo mais oncogénico detetado e na história de persistência”. A ausência de diferenças entre grupos etários indica ainda que “a possibilidade de coinfecção deve ser assumida em todas as idades abrangidas pelo rastreio”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os investigadores reconhecem que o padrão identificado diverge de alguns estudos anteriores, mas explicam que “várias características regionais e epidemiológicas podem explicar um padrão de tipos de HPV diferente”. O próprio estudo apresenta limitações, pois “inclui apenas mulheres de duas unidades de Cuidados de Saúde Primários” e decorre num período em que “a vacinação contra o HPV e a mudança para rastreio baseado em HPV estavam em curso”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relativamente às políticas de vacinação, os autores destacam o impacto positivo da inclusão dos rapazes no Programa Nacional de Vacinação, uma vez que “os homens também desenvolvem doença significativa associada ao HPV”. Assim, “vacinar rapazes aumenta a proteção direta e indireta (…) reforçando a imunidade de grupo” e contribui para “potencializar a redução de cancros ligados ao HPV em Portugal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da eficácia da vacina nonavalente, os autores consideram que “continuar a investigar os tipos de alto risco não incluídos na vacina (…) é essencial”, permitindo “avaliar o risco residual de cancro”, “refinar o rastreio” e “vigiar se algum tipo não incluído na vacina adquire expressão pós-vacinação”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, tendo em conta que Portugal atingiu cerca de 91% de cobertura vacinal até aos 15 anos, os autores consideram “razoável esperar um padrão semelhante” ao observado noutros países europeus, com “reduções de 70–90% nas infeções por tipos 16/18 e nas lesões de alto grau”, bem como “uma redução importante da incidência de cancro do colo do útero ao longo das próximas décadas”. Mesmo em pessoas já expostas ao vírus, a vacina pode “prevenir infeções por tipos ainda não adquiridos e reduzir reinfeções futuras”, funcionando como “profilaxia incompleta”, mas com benefício clínico relevante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aceda ao estudo <a href="https://www.cureus.com/articles/239659-epidemiological-profile-of-human-papillomavirus-in-a-healthcare-center-in-portugal-implications-for-public-health-policies#!/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/hpv31-surge-como-o-tipo-mais-prevalente-em-estudo-nacional-de-cuidados-de-saude-primarios/">HPV31 surge como o tipo mais prevalente em estudo nacional de Cuidados de Saúde Primários</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cancro do ovário: a urgência de uma agenda pública mais ambiciosa</title>
		<link>https://myginecologia.pt/opiniao/cancro-do-ovario-a-urgencia-de-uma-agenda-publica-mais-ambiciosa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 10:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myginecologia.pt/?p=215789</guid>

					<description><![CDATA[<p>A propósito do Dia Mundial do Cancro do Ovário, que se assinala a 8 de maio, Mónica Pires, presidente da Secção de Ginecologia Oncológica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), analisa os desafios críticos na gestão desta patologia em Portugal. Num artigo de opinião focado na organização dos cuidados, a especialista defende que o sucesso [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/opiniao/cancro-do-ovario-a-urgencia-de-uma-agenda-publica-mais-ambiciosa/">Cancro do ovário: a urgência de uma agenda pública mais ambiciosa</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A propósito do Dia Mundial do Cancro do Ovário, que se assinala a 8 de maio, <strong>Mónica Pires</strong>, presidente da Secção de Ginecologia Oncológica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), analisa os desafios críticos na gestão desta patologia em Portugal. Num artigo de opinião focado na organização dos cuidados, a especialista defende que o sucesso clínico depende de uma tríade fundamental: referenciação atempada, rigor no diagnóstico e acesso a terapêuticas diferenciadas. O texto propõe uma reflexão sobre como converter as recomendações técnicas em resultados concretos, garantindo que a inovação científica se traduz numa melhoria real da sobrevivência e qualidade de vida das doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde, além do seu valor intrínseco e individual, é determinante na prosperidade económica e social de uma população, influenciando a oferta de mão-de-obra, a produtividade e as despesas públicas.&nbsp;Os cuidados de saúde dirigidos à mulher refletem-se, de forma determinante, nos níveis globais de qualidade em saúde em Portugal. Tal deve-se, não apenas ao facto de as mulheres constituírem o grupo maioritário da população portuguesa, mas também porque, em praticamente todas as áreas dos cuidados de saúde — cuidadores, auxiliares de ação médica, enfermeiros, psicólogos, técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, farmacêuticos, médicos e tantas outras profissões — os profissionais são maioritariamente mulheres. Estas profissionais, essenciais para a qualidade, sustentabilidade e resiliência do sistema de saúde, são simultaneamente fornecedoras e utilizadoras de cuidados de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acresce que, na pirâmide etária da população portuguesa, a presença feminina assume particular destaque nos grupos etários mais avançados, espelhando a sua maior longevidade e impondo a consideração das necessidades específicas que daí decorrem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A 10 de março de 2026 foi aprovada pela Sra. Ministra da Saúde a Rede de Referenciação Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia. Este documento visa assegurar a resposta hospitalar a situações clínicas de ginecologia e obstétrica, reconhecendo a necessidade de assegurar a adequada orientação de situações clínicas específicas da mulher. Para a sua elaboração, foram tomados em consideração os normativos em vigor aplicáveis, bem como as contribuições da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Enfermeiros. Foi incorporada na proposta a informação sobre acessibilidade aos cuidados de saúde urgentes e emergentes disponibilizada pela Entidade Reguladora da Saúde. Foram igualmente consultados os Consensos de Ginecologia Oncológica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na construção de uma rede nacional de Referenciação Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia, a área da patologia oncológica assume particular relevância, face à tendência crescente da taxa de mortalidade por tumores malignos nos últimos 30 anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No domínio oncológico, existem patologias exclusivamente femininas, que exigem abordagens altamente especializadas e investimento contínuo em prevenção, diagnóstico e tratamento. Contudo, as mulheres enfrentam determinantes e riscos específicos — não apenas biológicos, mas também sociais, económicos e culturais — que requerem políticas de saúde diferenciadas e equitativas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomemos o exemplo do cancro do ovário, patologia exclusiva do sexo feminino. Progride de forma silenciosa, com sintomas inespecíficos e muitas vezes atribuídos a outras. Muitas vezes, quando diagnosticado, o tumor já se encontra em fase avançada, com impacto profundo na vida da mulher e potencialmente fatal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Políticas de educação e literacia em saúde que promovam a atenção aos sintomas de alerta, a redução de fatores de risco e o reforço de fatores protetores podem ter um impacto significativo no curso da doença.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta patologia oncológica, como em muitas outras, a referenciação atempada para centros de referência, o investimento no estudo adequado da doença — imagiológico, anatomo-patológico ou genético — o acesso a cirurgia diferenciada, a possibilidade de terapêuticas sistémicos adequadas, como a quimioterapia, inibidores da PARP, anti-angiogénicos, conjugados anticorpo-fármaco, e a participação em ensaio clínicos, determinam o intervalo livre de doença e a sobrevivência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atualização da Rede Nacional de Referenciação constitui uma etapa decisiva na construção de melhores cuidados de saúde para a mulher. O sucesso desta estratégia depende agora do envolvimento articulado de todos os agentes relevantes: das próprias doentes, através da promoção da literacia em saúde; dos profissionais de saúde, que devem dispor de formação específica em cancros ginecológicos; e dos decisores políticos, responsáveis por assegurar a alocação dos recursos necessários para tornar esta visão efetivamente exequível. Garantir que esta Rede se traduz em melhores resultados em saúde para as mulheres portuguesas exige compromisso contínuo, consistência na implementação e uma visão partilhada de que investir na saúde da mulher é investir no futuro do país.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/opiniao/cancro-do-ovario-a-urgencia-de-uma-agenda-publica-mais-ambiciosa/">Cancro do ovário: a urgência de uma agenda pública mais ambiciosa</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Parâmetros biométricos placentários: valor clínico e limites das curvas de percentis</title>
		<link>https://myginecologia.pt/opiniao/parametros-biometricos-placentarios-valor-clinico-e-limites-das-curvas-de-percentis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 09:16:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myginecologia.pt/?p=215773</guid>

					<description><![CDATA[<p>A placenta é frequentemente descrita como o &#8220;arquivo biológico&#8221; da gestação, mas a sua valorização na prática clínica corrente permanece ainda aquém do seu potencial. Num artigo de opinião assinado por Rosete Nogueira, da Escola de Medicina da Universidade do Minho, discute-se a importância da sistematização do peso placentário e do rácio peso ao nascimento/peso [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/opiniao/parametros-biometricos-placentarios-valor-clinico-e-limites-das-curvas-de-percentis/">Parâmetros biométricos placentários: valor clínico e limites das curvas de percentis</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A placenta é frequentemente descrita como o &#8220;arquivo biológico&#8221; da gestação, mas a sua valorização na prática clínica corrente permanece ainda aquém do seu potencial. Num artigo de opinião assinado por <strong>Rosete Nogueira</strong>, da Escola de Medicina da Universidade do Minho, discute-se a importância da sistematização do peso placentário e do rácio peso ao nascimento/peso placentário através de novas curvas de percentis ajustadas à idade gestacional. Esta abordagem propõe transformar parâmetros biométricos em ferramentas complementares de diagnóstico, permitindo uma identificação mais precisa de desvios patológicos e uma melhor compreensão da eficiência placentária.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo propõe um contributo relevante para a Obstetrícia moderna: sistematizar o uso do peso placentário (PW) e do rácio peso ao nascimento/peso placentário (BPWr) através de curvas de percentis ajustadas à idade gestacional. Num contexto em que a placenta é frequentemente subvalorizada na prática clínica, a iniciativa de a colocar no centro da avaliação perinatal merece reconhecimento. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal virtude do trabalho reside na tentativa de normalizar parâmetros que, embora conhecidos, são pouco utilizados de forma padronizada. A criação de curvas de percentis permite enquadrar achados individuais num espectro populacional, facilitando a identificação de desvios potencialmente patológicos. Em particular, o BPWr surge como um marcador indireto da eficiência placentária: valores extremos podem refletir tanto perda da capacidade funcional da placenta (placenta relativamente grande para um feto pequeno) como compensações adaptativas ou até condições de crescimento acelerado. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da padronização, da medição, dos diâmetros e do peso (sem membranas e sem cordão, após lavagem, e fixação em formol tamponado a 10% durante 48h), a utilidade clínica destas curvas deve ser analisada com cautela. Em primeiro lugar, porque a variabilidade biológica da placenta é significativa e influenciada por múltiplos fatores — maternos, fetais e ambientais — que nem sempre são plenamente captados pelas curvas. Outros fatores, como tabagismo, altitude, doenças maternas ou características étnicas – apesar de minimizados pelos critérios de seleção da amostra – podem alterar o peso placentário independentemente de patologia. Assim, apesar da uniformização rigorosa na aquisição dos parâmetros, e seleção da amostra de estudo a aplicabilidade universal das curvas e a sua interpretação isolada podem ficar comprometidas e levar a sobrevalorização de achados sem relevância clínica. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto crítico é a integração destes parâmetros na prática clínica. Embora úteis em estudos retrospetivos e em auditorias perinatais, o seu valor prospetivo ainda é limitado. A tomada de decisão obstétrica continua a depender de um conjunto mais amplo de indicadores, como Doppler fetal, crescimento longitudinal e estado clínico materno. Assim, as curvas de percentis devem vistas como ferramentas complementares, e não como determinantes isolados de conduta. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, o artigo tem mérito ao reforçar a importância da placenta como “arquivo  biológico” da gestação. A incorporação sistemática de dados placentários pode melhorar a compreensão de desfechos adversos e contribuir para estratégias de prevenção em gravidezes futuras. Além disso, abre caminho para investigações que combinem biometria placentária com biomarcadores moleculares e imagiologia avançada. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, o trabalho oferece uma base útil para a valorização dos parâmetros placentários, embora a sua aplicação clínica exija contextualização e validação adicional. O desafio futuro será integrar estas curvas em modelos multifatoriais mais robustos, capazes de traduzir a complexidade da interação materno-fetal em decisões clínicas concretas e seguras.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fotografia: Unilabs</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/opiniao/parametros-biometricos-placentarios-valor-clinico-e-limites-das-curvas-de-percentis/">Parâmetros biométricos placentários: valor clínico e limites das curvas de percentis</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Vacinação gratuita contra o HPV alargada a homens e mulheres até aos 26 anos </title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/vacinacao-gratuita-contra-o-hpv-alargada-a-homens-e-mulheres-ate-aos-26-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 13:12:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myginecologia.pt/?p=215765</guid>

					<description><![CDATA[<p>Numa decisão importante para a saúde pública nacional, a Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou o alargamento da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) no Programa Nacional de Vacinação (PNV) a homens e mulheres até aos 26 anos. Esta medida permite a Portugal reforçar o compromisso assumido para a eliminação das doenças e dos cancros causados [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/vacinacao-gratuita-contra-o-hpv-alargada-a-homens-e-mulheres-ate-aos-26-anos/">Vacinação gratuita contra o HPV alargada a homens e mulheres até aos 26 anos </a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Numa decisão importante para a saúde pública nacional, a Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou o alargamento da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) no Programa Nacional de Vacinação (PNV) a homens e mulheres até aos 26 anos. Esta medida permite a Portugal reforçar o compromisso assumido para a eliminação das doenças e dos cancros causados pelo HPV.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até agora, a vacinação gratuita contra o HPV estava direcionada sobretudo à população pediátrica e adolescente, deixando parte da população jovem adulta sem acesso gratuito. A atualização agora anunciada permite a vacinação de mulheres não previamente vacinadas, em paralelo com o alargamento aos homens, alinhando a estratégia nacional com os objetivos de controlo da transmissão do HPV e de eliminação de doenças e cancros associados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Esta decisão representa um avanço muito significativo na prevenção do HPV em Portugal e um passo concreto rumo a um objetivo maior: a eliminação de doenças e cancros associados ao HPV, estabelecido pela Comissão Europeia e assumido pelo Estado português&#8221;, afirma Mario Ferrari, diretor-geral da MSD Portugal. &#8220;Estamos orgulhosos por sermos parceiros neste marco histórico e reafirmamos o nosso compromisso em apoiar o sucesso contínuo do PNV.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Alargamento da vacinação e interrupção da transmissão do HPV</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A inclusão de homens jovens nesta nova fase do PNV é uma medida estratégica para quebrar o ciclo de transmissão do HPV. Ao serem vacinados, os homens não só se protegem contra doenças oncológicas que os afetam diretamente, como o cancro do pénis e do ânus, mas também contribuem para a proteção indireta da população (“imunidade de grupo”), ao prevenir a transmissão do HPV entre os sexos e em relações entre pessoas do mesmo sexo, reduzindo a circulação global do vírus na comunidade<sup>2,6</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta decisão assenta no sucesso comprovado do PNV. A vacinação contra o HPV começou em 2008, para raparigas adolescentes com 13 anos de idade e com uma campanha de repescagem até aos 17 anos, sendo depois alargada aos rapazes de 10 anos em 2020. Com taxas de vacinação consistentemente superiores a 90%<sup>7</sup>, o programa português é hoje um exemplo a nível europeu<sup>5,8</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia de vacinação em Portugal utiliza a vacina nonavalente recombinante, que confere proteção contra os genótipos de HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58². Estes genótipos são responsáveis por aproximadamente 90% dos cancros do colo do útero, 90-95% dos cancros do ânus e cerca de 90% dos casos de verrugas genitais². A vacina é composta por partículas semelhantes ao vírus (VLPs) da proteína L1, que são não-infeciosas e induzem uma resposta imunitária humoral robusta. Estudos clínicos demonstram uma eficácia superior a 96% na prevenção de lesões pré-cancerosas de alto grau (CIN 2/3, VIN 2/3, VaIN 2/3) e cancro, causadas pelos genótipos de alto risco contidos na vacina².</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Evidência económica do alargamento da vacinação contra o HPV</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do benefício clínico e epidemiológico estabelecido, a medida apresenta também um impacto económico positivo para o Estado português. O estudo &#8220;Assessing public economic gains from expanding HPV vaccination in Portugal&#8221;¹, que analisou o retorno do investimento público associado ao aumento das taxas de cobertura da vacinação contra o HPV em Portugal, concluiu que a extensão da vacinação contra o HPV a homens adultos até 26 anos de idade e a mulheres não vacinadas entre 18 e 26 anos de idade poderá resultar numa redução do ónus social e fiscal estimada em 124 e 109 milhões de euros, respetivamente. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo demonstrou ainda que por cada euro adicional investido na vacinação de jovens até aos 26 anos, o Estado obtém um retorno de 1,70 euros. No que diz respeito à carga social, o retorno estimado é de 1,90 euros¹.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li class="has-small-font-size"><em>Assessing public economic gains from expanding HPV vaccination in Portugal: a governmental perspective analysis.</em> Disponível em: <a href="https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/13696998.2026.2617010">https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/13696998.2026.2617010</a></li>



<li class="has-small-font-size"><em>RCM GARDASIL®9 09/24.</em> Disponível em: <a href="https://spconline.msd-info.net/content/pt/vaccines/Gardasil%209_4121_RCM_PT_RCN000027439_2024-09-27_.pdf">https://spconline.msd-info.net/content/pt/vaccines/Gardasil%209_4121_RCM_PT_RCN000027439_2024-09-27_.pdf</a> </li>



<li class="has-small-font-size"><em>MSD Manual &#8211; Versão para Profissionais. Vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV).</em> Disponível em: <a href="https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/imuniza%C3%A7%C3%A3o/vacina-contra-o-papilomav%C3%ADrus-humano-hpv">https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/imuniza%C3%A7%C3%A3o/vacina-contra-o-papilomav%C3%ADrus-humano-hpv</a></li>



<li class="has-small-font-size"><em>National Cancer Institute. HPV and Cancer.</em> Disponível em: <a href="https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/infectious-agents/hpv-and-cancer">https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/infectious-agents/hpv-and-cancer</a></li>



<li class="has-small-font-size"><em>HPV Portugal. Website informativo sobre a prevenção e vacinação.</em> Disponível em: <a href="https://www.hpv.pt/">https://www.hpv.pt/</a></li>



<li class="has-small-font-size"><em>Standard &#8211; ACTION AREA 1: HPV Prevention Via Gender Neutral Vaccination Programmes &#8211; European Cancer Organisation.</em> Disponível em: <a href="https://www.europeancancer.org/content/hpv-action-area-1-hpv-prevention-via-gender-neutral-vaccination-programmes.html">https://www.europeancancer.org/content/hpv-action-area-1-hpv-prevention-via-gender-neutral-vaccination-programmes.html</a></li>



<li class="has-small-font-size"><em>RELATÓRIO SÍNTESE ANUAL DA Vacinação 2024. Disponível em: </em> <a href="https://www.dgs.pt/em-destaque/cobertura-vacinal-ate-aos-7-anos-mantem-se-elevada-pdf.aspx">https://www.dgs.pt/em-destaque/cobertura-vacinal-ate-aos-7-anos-mantem-se-elevada-pdf.aspx</a> </li>
</ol>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/atualidade/vacinacao-gratuita-contra-o-hpv-alargada-a-homens-e-mulheres-ate-aos-26-anos/">Vacinação gratuita contra o HPV alargada a homens e mulheres até aos 26 anos </a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
