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	<title>My Ginecologia</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica e outros profissionais de saúde dedicados à Ginecologia</description>
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	<title>My Ginecologia</title>
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		<title>Estudo indica que quase 80 milhões de mulheres podem enfrentar infertilidade em 2036</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 10:46:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um estudo, realizado pela Universidade de Hong Kong, concluiu que o número de mulheres dos 35 aos 49 anos a sofrer de infertilidade em todo o mundo vai aumentar quase 50% na próxima década e atingir 79,6 milhões em 2026. Os investigadores analisaram uma base de dados global de saúde que abrange 204 países e [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Um estudo, realizado pela Universidade de Hong Kong, concluiu que o número de mulheres dos 35 aos 49 anos a sofrer de infertilidade em todo o mundo vai aumentar quase 50% na próxima década e atingir 79,6 milhões em 2026. Os investigadores analisaram uma base de dados global de saúde que abrange 204 países e territórios entre 1990 e 2023, examinando as tendências de longo prazo e utilizando modelos de previsão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Financiado por instituições chinesas e publicado na revista científica The Lancet, este estudo concluiu que a infertilidade está gradualmente a tornar-se um problema maior nas economias mais desenvolvidas. Os investigadores lembraram que cada vez mais mulheres adiam planos para ter filhos, em parte devido às “transições socioeconómicas aceleradas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, o relatório adiantou que a Europa Ocidental, incluindo Portugal, teve uma taxa de prevalência de infertilidade de 2807 casos por 100 mil mulheres em 2023, menos de metade da média global: 6.001 casos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A infertilidade em idade materna avançada não é apenas uma questão clínica”, disse Queenie Li Lingjun, professora associada do departamento de obstetrícia e ginecologia da Escola de Medicina Clínica da HKU. “Está intimamente ligada ao bem-estar familiar, à autonomia reprodutiva, ao planeamento da força de trabalho e ao desenvolvimento social a longo prazo”, sublinhou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a aceleração do envelhecimento populacional, a infertilidade tornou-se também “um grave problema de Saúde Pública, com implicações económicas significativas para as mulheres, as famílias e os sistemas de saúde”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigadora acrescentou que as conclusões apoiam uma abordagem mais abrangente, incluindo políticas que apoiem melhor as mulheres e as famílias na elaboração de planos e na tomada de decisões informadas.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: LUSA</p>
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		<title>Save the date: próxima edição do EUROGIN acontece em fevereiro de 2027</title>
		<link>https://myginecologia.pt/internacional/save-the-date-congresso-internacional-multidisciplinar-sobre-hpv-eurogin-acontece-em-fevereiro-de-2027/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 15:46:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Realiza-se entre os dias 10 e 13 de fevereiro de 2027 o Congresso Internacional Multidisciplinar sobre HPV (EUROGIN) no Centro de Congressos de Bolonha, em Itália. O congresso, sob a liderança do presidente do comité científico, Joseph Monsonego, e dos presidentes do Congresso, Paolo Giorgi Rossi e Peter Sasieni, é o principal evento mundial dedicado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Realiza-se entre os dias 10 e 13 de fevereiro de 2027 o Congresso Internacional Multidisciplinar sobre HPV (EUROGIN) no Centro de Congressos de Bolonha, em Itália. O congresso, sob a liderança do presidente do comité científico, Joseph Monsonego, e dos presidentes do Congresso, Paolo Giorgi Rossi e Peter Sasieni, é o principal evento mundial dedicado às infeções por HPV e cancros associados, com um foco central na prevenção e diagnóstico. As inscrições são feitas <em>online</em>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O evento tem como objetivo traduzir a investigação científica e baseada em evidências para a prática clínica através de um programa inovador e de alta qualidade, elaborado por líderes internacionais de excelência. A conferência oferece um fórum para a troca de conhecimentos e experiências com especialistas de todo o mundo, continuando a desafiar e a expandir as fronteiras da investigação sobre o HPV e a prevenção do cancro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os profissionais e investigadores que pretendam partilhar as suas descobertas com a comunidade global de HPV e contribuir para o programa científico, a submissão de resumos já se encontra aberta. Esta é uma excelente oportunidade para apresentar trabalhos, trocar conhecimentos com peritos internacionais e ajudar a avançar a prevenção e os diagnósticos do HPV. As inscrições para o congresso também já estão disponíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Registe-se<a href="https://www.eurogin.com/register/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> aqui</a>.</p>
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		<item>
		<title>Tratamentos de fertilidade não comprometem a amamentação</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/tratamentos-de-fertilidade-nao-comprometem-a-amamentacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 10:44:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mais de 80% das mulheres que engravidam através de técnicas de reprodução assistida manifestam interesse em amamentar os seus bebés e conseguem fazê-lo durante longos períodos, independentemente de terem engravidado com ajuda médica. É o que revela um estudo realizado em Espanha e que ajuda a dissipar um receio frequente entre mulheres submetidas a tratamentos de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Mais de 80% das mulheres que engravidam através de técnicas de reprodução assistida manifestam interesse em amamentar os seus bebés e conseguem fazê-lo durante longos períodos, independentemente de terem engravidado com ajuda médica. É o que revela um estudo realizado em Espanha e que ajuda a dissipar um receio frequente entre mulheres submetidas a tratamentos de fertilidade: a ideia de que a reprodução assistida pode dificultar a amamentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados mostram precisamente o contrário. O recurso a técnicas como a fertilização <em>in vitro</em> ou a ovodoação não condiciona negativamente o início nem a duração da amamentação. Entre as mulheres analisadas, a duração média da lactação foi de quase 20 meses, sem diferenças significativas entre quem utilizou óvulos próprios e quem recorreu à doação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo acompanhou mulheres que engravidaram através de fertilização <em>in vitro</em> com microinjeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), uma das técnicas mais utilizadas em medicina reprodutiva. A maioria manifestou, ainda durante a gravidez, a intenção de amamentar de forma exclusiva: 86% entre as mulheres que utilizaram os seus próprios óvulos e 81% entre as recetoras de ovodoação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Dra. Marga Esbert, coordenadora de Investigação do Laboratório FIV do IVI Barcelona, os resultados trouxeram uma mensagem tranquilizadora para as mulheres, uma vez que os tratamentos de fertilidade não implicam, por si só, qualquer tipo de limitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas querer amamentar não significa que o processo seja simples. Apesar da elevada motivação, apenas cerca de seis em cada dez mulheres conseguiram manter uma amamentação materna exclusiva logo após o parto. E, entre as que o fizeram, quase 70% enfrentaram complicações nas primeiras semanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As dificuldades mais frequentes foram dor, fissuras mamilares e mastite, ou seja, problemas comuns, mas que podem tornar o início da amamentação particularmente exigente, sobretudo depois de uma gravidez muitas vezes vivida com elevada carga emocional. Ainda assim, o estudo mostra que a maioria destas mães manteve a amamentação apesar das dificuldades iniciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os investigadores, um dos principais problemas continua a ser a falta de informação e acompanhamento especializado. Sete em cada dez mulheres consideraram insuficiente a informação recebida durante a gravidez sobre amamentação e cerca de metade precisou de apoio de profissionais de saúde após o parto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A atenção médica tende a concentrar-se na gravidez e no parto, mas a amamentação acaba muitas vezes por ficar num vazio de acompanhamento”, refere a Dra. Vânia Ribeiro, ginecologista e especialista em medicina da reprodução no IVI Lisboa. “É importante preparar melhor estas mulheres durante a gravidez, para que não enfrentem este tipo de dificuldades no pós-parto, uma fase particularmente vulnerável do ponto de vista físico e emocional.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os investigadores defendem que um maior apoio pré-natal e pós-parto poderá ajudar mais mulheres a viver a amamentação de forma positiva e mais próxima da experiência que desejavam ter quando iniciaram o percurso da maternidade. </p>
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			</item>
		<item>
		<title>Grávidas devidamente capacitadas preferem mobilidade e posições verticalizadas durante trabalho de parto</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/gravidas-devidamente-capacitadas-preferem-mobilidade-e-posicoes-verticalizadas-durante-trabalho-de-parto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 10:21:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O trabalho de investigação de Marlene Lopes, da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC), feito ao longo dos últimos quatro anos e que envolveu, numa fase inicial, mais de duas centenas de grávidas, revela que, sempre que devidamente informadas e capacitadas, as mulheres optam por maior mobilidade durante o trabalho de parto, incluindo posições verticalizadas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O trabalho de investigação de <strong>Marlene Lopes</strong>, da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC), feito ao longo dos últimos quatro anos e que envolveu, numa fase inicial, mais de duas centenas de grávidas, revela que, sempre que devidamente informadas e capacitadas, as mulheres optam por maior mobilidade durante o trabalho de parto, incluindo posições verticalizadas (por exemplo, caminhar, permanecer de pé, sentar-se, ajoelhar-se, ou colocar-se de cócoras), em vez de  permanecerem imobilizadas ou limitadas a uma posição. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Este é o resultado de uma avaliação final, no pós-parto, já com um grupo de mulheres mais pequeno (somente 30, com gravidez de baixo risco e sem filhos até então) que participaram, em quatro unidades  de cuidados na comunidade (UCC) do centro do país – Ílhavo, Mealhada, Marinha Grande e Porto de Mós  –, numa intervenção em Enfermagem concebida para as habilitar para a tomada de decisão em matéria de mobilidade durante o processo de dilatação do trabalho de parto. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Noventa por cento desta amostra (27 mulheres) &#8220;referiram ter-se mobilizado durante o trabalho de  parto» ao explicar que «a intervenção procurou capacitá-las para compreenderem o valor da mobilidade e das posições verticalizadas, identificarem as suas preferências e decidirem e agirem de acordo com elas durante o seu trabalho de parto&#8221;.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">A intervenção, integrada nos programas de preparação para o parto daquelas UCC, compreendeu duas sessões sequenciais, de duas horas e trinta minutos cada. Enquanto a primeira, intitulada “Mover-me  durante o trabalho de parto – o meu superpoder!”, se centrou &#8220;na consciência corporal, na experimentação de estratégias de mobilidade e no desenvolvimento da confiança&#8221;, a segunda (“Eu escolho mover-me durante o meu trabalho de parto!”) focou-se &#8220;na tomada de decisão, na clarificação das preferências, na antecipação de possíveis dificuldades, na comunicação com os profissionais de  saúde e no papel da pessoa significativa&#8221;, refere a professora de Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, de acordo com os resultados desta avaliação, &#8220;52% [das 27 mulheres] indicaram que a sua mobilidade diminuiu depois da entrada na sala de partos, evidenciando que a concretização das  preferências não depende apenas da preparação da mulher, mas também das condições clínicas, das práticas profissionais e da flexibilidade do contexto hospitalar&#8221;. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Marlene Lopes, numa avaliação qualitativa através de entrevistas a oito mulheres, &#8220;seis conseguiram manter-se em movimento, de acordo com o que desejavam, e assumir um papel ativo nas decisões&#8221;, o que se manifestou, por exemplo, &#8220;na decisão sobre o momento da transferência para a sala de partos, na negociação do tipo de analgesia e na escolha dos movimentos e posições, incluindo durante o período expulsivo&#8221;. Já &#8220;duas mulheres não conseguiram concretizar plenamente o que tinham  desejado, sobretudo devido à intensidade da dor que sentiram e às limitações associadas ao tipo de  analgesia utilizado&#8221;.  </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lei reconhece direito à autodeterminação através do plano de parto&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A professora da ESEUC nota que &#8220;a mulher pode manifestar, nomeadamente através do plano de parto, as suas preferências relativamente à mobilidade e à posição em que deseja&#8221;, que elas &#8220;devem ser discutidas com a equipa clínica e respeitadas sempre que a situação clínica da mulher e do bebé o  permita&#8221;.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais: &#8220;Os profissionais devem prestar informação clara sobre as opções disponíveis, os respetivos benefícios e eventuais limitações clínicas, promovendo uma decisão informada. A legislação portuguesa reconhece o direito à informação, ao consentimento, à autodeterminação e à expressão de preferências através do plano de parto&#8221;, afirma Marlene Lopes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, na prática, &#8220;a possibilidade de concretizar essa preferência ainda pode variar de acordo com a cultura instituída, a organização do serviço, a experiência e a disponibilidade dos profissionais&#8221;, adverte a docente da ESEUC.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">A professora da ESEUC sustenta que &#8220;a mobilidade tem uma dimensão fisiológica, porque pode favorecer a progressão do parto e ajudar a mulher a lidar com a dor, mas tem também uma dimensão experiencial: permite-lhe participar ativamente, responder aos sinais do corpo e preservar uma maior perceção de controlo&#8221;.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A mobilidade durante o trabalho de parto corresponde à possibilidade de a mulher se movimentar e alterar livremente a posição do corpo, de acordo com as suas necessidades, preferências, conforto e situação clínica&#8221;, podendo incluir, ainda, &#8220;inclinar-se para a frente, movimentar a bacia, utilizar uma bola de parto ou simplesmente mudar de posição dentro da própria cama&#8221;, refere Marlene Lopes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">“Mobilidade durante o trabalho de parto: viabilidade de uma intervenção de Enfermagem na capacitação  da mulher para a tomada de decisão” foi o título da tese de doutoramento de Marlene Lopes, defendida recentemente na Universidade Católica Portuguesa, no Porto. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na primeira fase desta investigação, participaram 243 mulheres a frequentarem programas de preparação para o parto em dez UCC do centro do país (distritos de Leiria, Coimbra e Aveiro). Aqui, com  a colaboração de 14 enfermeiros especialistas em ESMO, foram reunidos contributos que permitiram identificar as necessidades das mulheres, as estratégias mais adequadas e as condições que poderiam  facilitar ou dificultar a aplicação da intervenção.  </p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: UC</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando um problema da consulta se transforma num projeto tecnológico</title>
		<link>https://myginecologia.pt/opiniao/quando-um-problema-da-consulta-se-transforma-num-projeto-tecnologico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 14:43:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poderá a tecnologia acompanhar a saúde menstrual sem transformar dados íntimos num produto comercial? A propósito das limitações e riscos de privacidade observados na maioria das aplicações do mercado, o ginecologista-obstetra e especialista em Medicina da Reprodução Ricardo Santos (ULS Alto Ave) assina um artigo de opinião sobre o desenvolvimento da aplicação CycleTracker. O médico [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myginecologia.pt/opiniao/quando-um-problema-da-consulta-se-transforma-num-projeto-tecnologico/">Quando um problema da consulta se transforma num projeto tecnológico</a> aparece primeiro em <a href="https://myginecologia.pt">My Ginecologia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Poderá a tecnologia acompanhar a saúde menstrual sem transformar dados íntimos num produto comercial? A propósito das limitações e riscos de privacidade observados na maioria das aplicações do mercado, o ginecologista-obstetra e especialista em Medicina da Reprodução <strong>Ricardo Santos</strong> (ULS Alto Ave) assina um artigo de opinião sobre o desenvolvimento da aplicação CycleTracker. O médico e especialista em Informática Médica explica como concebeu uma ferramenta digital de registo menstrual focada exclusivamente na segurança dos dados da utilizadora, na utilidade para a consulta médica e no rigor clínico, livre de publicidade ou recolha de informação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sou especialista em Medicina da Reprodução. O ciclo menstrual é algo que faz parte do meu quotidiano, e que valorizo muito, pela importância que tem no meu trabalho. Acresce que aplicações de acompanhamento do ciclo menstrual já fazem parte do quotidiano de muitas mulheres. Contudo, nem sempre foram concebidas com prioridades clínicas: podem apresentar previsões com uma segurança excessiva, incluir publicidade em momentos particularmente sensíveis ou recolher informação que ultrapassa largamente o necessário. Por isto, quis explorar uma alternativa: uma aplicação útil, clinicamente responsável e que não precisasse de transformar dados íntimos num produto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ideia para a CycleTracker nasceu, antes de tudo, da prática clínica. Em consulta, é frequente as doentes recorrerem ao telemóvel para tentar reconstruir a sua história menstrual: quando começou a última menstruação, qual tem sido a duração dos ciclos, se existe <em>spotting </em>recorrente, em que dias surgiram determinados sintomas ou quando foi realizado um teste de ovulação. Muitas já utilizam uma aplicação, mas a informação nem sempre é fácil de interpretar ou partilhar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já tive doentes que, de tanto rigor, tinham calendários menstruais complexos em folhas de excel (uma que me estou a lembrar era engenheira, e de um rigor com os registos que faria inveja a muitas aplicações dedicadas). Mas mais do que uma vez, tive de esperar que uma doente visse um anúncio antes que a aplicação instalada no seu dispositivo carregasse os seus ciclos, e, como apaixonado pela tecnologia que sou, sei que a esmagadora maioria das aplicações gratuitas vivem dos dados de quem as usa (não existem “refeições grátis”). Estes momentos tornaram mais evidente uma preocupação já antiga: não faltavam calendários menstruais, mas faltava uma ferramenta que eu pudesse recomendar sem reservas. Queria algo simples, sem publicidade e sem distrações, mas também sem previsões apresentadas como certezas ou mecanismos invisíveis de recolha de dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo não foi, portanto, criar “mais uma aplicação”. Foi tentar responder a uma pergunta clínica e ética: como deve funcionar uma ferramenta de saúde menstrual quando o seu primeiro compromisso é com a utilizadora?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto surgiu também de um percurso pessoal situado entre várias áreas. Sou ginecologista-obstetra, com subespecialidade em Medicina da Reprodução, mestre em Informática Médica e doutorado em Investigação Clínica e Serviços de Saúde. A atividade clínica permite-me identificar problemas concretos; a formação científica obriga-me a questionar a validade das soluções; e a experiência tecnológica dá-me a possibilidade de transformar algumas dessas ideias em ferramentas utilizáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comecei o desenvolvimento da CycleTracker nas minhas férias de 2025. A conceção clínica, a definição das funcionalidades e todo o desenvolvimento tecnológico foram realizados por mim, num processo muito iterativo, com auxílio de várias ferramentas de programação e inteligência artificial. Estas ferramentas libertaram o lado da execução, colocando enfâse nas ideias. Se uma ideia é boa, pode ser bem aplicada, em tempo real. Criar, testar, criticar, resolver, criar, testar&#8230; num processo circular extremamente rápido e satisfatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das principais aprendizagens nesta área, e já de há vários anos (2017), quando criei a minha primeira aplicação (na altura publicada apenas para Android), foi perceber que a parte mais difícil raramente é desenhar um calendário ou criar um botão. As decisões verdadeiramente complexas estão por detrás da interface: o que deve ser considerado o início de um ciclo? Como interpretar ciclos irregulares? Como lidar com valores extremos sem apagar informação relevante? Como distinguir uma estimativa baseada em vários ciclos de outra baseada apenas numa média populacional? Estas são simultaneamente perguntas clínicas e tecnológicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação foi construída para iOS e Android a partir de uma base comum (<em>Flutter</em>). Permite registar menstruação, <em>spotting</em>, sintomas, relações sexuais, temperatura basal e testes de ovulação, analisar padrões e produzir estimativas adaptadas ao histórico individual. O desenvolvimento incluiu testes com diferentes tipos de ciclo, validação de importações e exportações e atenção a situações menos “arrumadas” do que os exemplos ideais habitualmente apresentados num calendário. É um trabalho em curso, que vou corrigindo, acrescentando funcionalidades e melhorias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados de saúde reprodutiva estão entre os dados mais íntimos que uma pessoa pode registar. Podem incluir informação sobre menstruação, atividade sexual, tentativas de gravidez, sintomas, testes de ovulação ou suspeitas de doença. Por isso, a privacidade da CycleTracker foi definida desde o início como uma característica estrutural. A aplicação não exige conta ou registo. Não possui uma base de dados central nem envia os registos para servidores próprios. Os dados permanecem no dispositivo e a aplicação pode funcionar <em>offline</em>. Não inclui publicidade, identificadores publicitários, serviços de análise de comportamento ou mecanismos de rastreamento de terceiros. O acesso pode ser protegido através de autenticação biométrica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração com a Apple Health ou o Health Connect é opcional, requer uma ação explícita da utilizadora e pode ser revogada. Não deve existir uma partilha automática ou pouco compreensível de informação tão sensível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naturalmente, esta opção tem custos. Sem telemetria, não consigo observar à distância como cada pessoa utiliza a aplicação ou em que ponto abandona uma determinada tarefa. Sem uma conta central e sincronização automática na nuvem, as cópias de segurança e a transferência de dados têm de ser escolhas mais conscientes. A evolução da aplicação depende mais do contacto voluntário das utilizadoras e dos profissionais. Estas limitações são coerentes com o propósito do projeto. Aquilo que não é recolhido não pode ser vendido, explorado para publicidade ou exposto numa falha de um servidor. Isto não elimina todos os riscos digitais, mas reduz significativamente a superfície de exposição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de publicidade pode parecer apenas uma opção estética. Na realidade, é também uma escolha sobre o modelo de relação entre a aplicação e a utilizadora. Uma ferramenta de saúde não deve ter interesse em prolongar artificialmente o tempo de utilização, aumentar o número de notificações ou transformar sintomas e receios em oportunidades de envolvimento comercial. O objetivo não é manter a mulher dentro da aplicação. É permitir-lhe registar o que precisa, compreender a informação e continuar o seu dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A CycleTracker é uma ferramenta de registo e apoio à compreensão do ciclo. Não substitui uma consulta, não estabelece diagnósticos e as estimativas de fertilidade não devem ser utilizadas isoladamente como método contracetivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando uma doente consegue apresentar uma sequência organizada dos ciclos, sintomas, episódios de <em>spotting </em>ou resultados de testes de ovulação, a conversa torna-se mais concreta. Reduz-se a dependência da memória e torna-se mais fácil identificar padrões, formular perguntas e decidir se é necessária investigação adicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação permite também exportar informação para cópia de segurança ou partilha deliberada. O objetivo não é substituir a história clínica, mas facilitar a passagem entre o registo quotidiano da mulher e uma conversa clínica contextualizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde a publicação inicial (abril de 2026), cerca de 130 instalações foram realizadas. Devemos ter em conta que esta é uma aplicação que só corre boca-a-boca (não está nunca nos lugares cimeiros em pesquisas, dado o seu curto histórico).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma aplicação clinicamente responsável deve reconhecer quando não possui dados suficientes, explicar a incerteza das suas estimativas, proteger informação sensível e encaminhar para avaliação clínica quando apropriado. Deve ser tecnicamente competente, mas também discreta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gostaria que o sucesso deste projeto não fosse medido apenas pelo número de instalações ou pelo tempo passado na aplicação. Para mim, os indicadores mais relevantes são outros: se ajuda uma mulher a compreender melhor o seu ciclo, a engravidar com mais facilidade, se lhe dá maior controlo sobre os próprios dados e se permite que uma consulta comece com informação mais clara.</p>
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		<title>Estudo relaciona exposição a pesticidas na infância com idade da primeira menstruação</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/estudo-relaciona-exposicao-a-pesticidas-na-infancia-com-idade-da-primeira-menstruacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 10:36:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um estudo conduzido pela Universidade de Valência identificou uma associação entre a exposição a determinados pesticidas na infância e a idade da primeira menstruação. Os resultados da investigação foram obtidos a partir de um inquérito a 506 raparigas entre os 7 e os 10 anos de idade, de várias províncias espanholas, com seguimento até aos [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Um estudo conduzido pela Universidade de Valência identificou uma associação entre a exposição a determinados pesticidas na infância e a idade da primeira menstruação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados da investigação foram obtidos a partir de um inquérito a 506 raparigas entre os 7 e os 10 anos de idade, de várias províncias espanholas, com seguimento até aos 16 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação, liderada pela Universidade de Granada e publicada na revista <em>Environmental Research</em>, indica que alguns fungicidas estão associados à menarca precoce, enquanto outros compostos estão associados ao atraso, noticiou na segunda-feira a agência Efe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Especificamente, a exposição a fungicidas da família dos ditiocarbamatos, utilizados para prevenir doenças nas plantações, está ligada à menarca precoce.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida, a exposição ao clorpirifós, um inseticida utilizado há anos na agricultura e atualmente proibido na União Europeia, está associada ao atraso da menarca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados sugerem que estes pesticidas, considerados disruptores endócrinos, podem interferir com o sistema hormonal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal via de exposição na população é através da alimentação, especialmente de frutas e legumes cultivados por métodos convencionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigadora María José López-Espinosa, docente do Departamento de Enfermagem da Universidade de Valência (UV), explicou que este estudo &#8220;é particularmente relevante, pois é um dos primeiros a analisar prospetivamente a relação entre a exposição na infância a pesticidas não persistentes atualmente utilizados e a idade da menarca&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sua opinião, identificar os fatores ambientais que podem influenciar o início da menstruação é uma prioridade de saúde pública, dado que a menarca precoce tem sido associada a um maior risco de desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiovasculares, bem como de certos tipos de cancros hormono-dependentes na vida adulta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo, realizado nas Astúrias, Gipuzkoa, Sabadell e Valência, insere-se no projeto INMA (Infância e Ambiente), que acompanha crianças há mais de duas décadas para analisar o impacto dos fatores ambientais na sua saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores realçaram ainda a necessidade de mais investigação sobre estes efeitos para melhorar a prevenção e a proteção da saúde pública.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: LUSA</p>
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		<title>A microbiota materna pode funcionar como biomarcador precoce de risco cardiometabólico nos filhos</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/estudo-indica-que-a-microbiota-materna-pode-funcionar-como-biomarcador-precoce-de-risco-cardiometabolico-nos-filhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 13:42:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A composição das bactérias que habitam o organismo da mãe pode servir como um indicador pioneiro para prever vulnerabilidades cardiometabólicas nos filhos. Esta perspetiva assume-se ainda como uma oportunidade estratégica para os profissionais de saúde desenharem planos alimentares capazes de gerar benefícios que se estendem por várias gerações. A conclusão provém de um projeto científico [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A composição das bactérias que habitam o organismo da mãe pode servir como um indicador pioneiro para prever vulnerabilidades cardiometabólicas nos filhos. Esta perspetiva assume-se ainda como uma oportunidade estratégica para os profissionais de saúde desenharem planos alimentares capazes de gerar benefícios que se estendem por várias gerações. A conclusão provém de um projeto científico interdisciplinar que uniu a Faculdade de Medicina (FMUP), a Faculdade de Medicina Dentária (FMDUP) e o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), instituições integradas na Universidade do Porto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora as alterações que a gravidez provoca no aparelho cardiovascular da mulher já estivessem amplamente documentadas, subsistiam dúvidas sobre a forma como o regime alimentar e o microbioma influenciavam esse processo. Para responder a esta lacuna, a equipa recorreu à <em>coorte </em>de nascimento longitudinal PERIMYR/OralBioBorn, recolhendo amostras biológicas de fezes, saliva e sangue das grávidas, além de sangue do cordão umbilical dos recém-nascidos. O estudo foi complementado com a realização de ecocardiogramas às mães e aos bebés.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O protocolo de investigação estabeleceu fases de controlo: no terceiro trimestre de gestação (entre as 30 e as 35 semanas); três consultas de monitorização após o parto, fixadas ao primeiro, sexto e décimo segundo mês de vida do bebé.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a fase do pós-parto, um grupo de participantes foi integrado num programa de reeducação nutricional focado na promoção do padrão alimentar mediterrânico, recebendo manuais e boletins informativos mensais para apoio à confeção e escolhas diárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados obtidos confirmam uma correlação direta entre os perfis bacterianos presentes na saliva e nas fezes e os indicadores de saúde do músculo cardíaco.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Esta investigação demonstrou o envolvimento do eixo microbiota oral–intestinal–coração nas adaptações fisiológicas da gravidez e no período pós-parto&#8221;, esclarece Juliana Morais, investigadora da FMUP. A especialista evidencia o papel ativo que determinados grupos de microrganismos exercem nas dinâmicas e mutações que ocorrem ao nível do coração.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A análise aprofundou igualmente os mecanismos de &#8220;programação intergeracional&#8221;, revelando que a transmissão biológica do risco cardiometabólico ocorre por via da passagem de adipocinas e de ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) da progenitora para o feto. Os resultados validam que o bem-estar cardiovascular da mãe está intimamente ligado à presença de AGCC (gerados pelas bactérias do intestino) e ao equilíbrio entre a leptina e a adiponectina (hormonas produzidas pela placenta e pelo tecido adiposo, detetadas no cordão umbilical).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Juliana Morais, tanto os ácidos gordos de cadeia curta como as adipocinas avaliadas preenchem os requisitos para se tornarem potenciais biomarcadores de risco no binómio mãe-filho, oferecendo uma nova ferramenta de trabalho a médicos e nutricionistas no acompanhamento preventivo das famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigadora enfatiza que o foco clínico na mulher não deve esgotar-se com o nascimento do bebé. O período pós-parto representa uma fase crítica e maleável para compreender e reverter riscos de saúde que, de outra forma, poderiam perpetuar-se na linhagem familiar. Para responder a este desafio, a cientista recomenda abordagens multidimensionais que combinem, em simultâneo, exames cardiovasculares, avaliações nutricionais detalhadas e o mapeamento do microbioma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo conta com os contributos científicos de Inês Falcão Pires (FMUP/RISE-Health), Benedita Sampaio-Maia (FMDUP/i3S), Carla Ramalho (FMUP e obstetra na ULS São João) e Conceição Calhau (Universidade Nova de Lisboa). O projeto PERIMYR/OralBioBorn mantém o recrutamento de voluntárias grávidas ativo através dos canais institucionais da faculdade.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: FMUP</p>
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		<item>
		<title>ULS São João: Equipa de Enfermagem arrecada 1.º prémio no CMIN Summit’26</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/uls-sao-joao-equipa-de-enfermagem-arrecada-1-o-premio-no-cmin-summit26/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 13:36:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma equipa de enfermeiras do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de São João foi distinguida com o primeiro lugar nas Olimpíadas de Enfermagem do CMIN Summit’26. O evento, subordinado ao tema “Da Evidência à Inovação na Saúde Materno-Infantil”, serviu de palco para consagrar o projeto desenvolvido por Ana Rita [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Uma equipa de enfermeiras do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de São João foi distinguida com o primeiro lugar nas Olimpíadas de Enfermagem do CMIN Summit’26. O evento, subordinado ao tema “Da Evidência à Inovação na Saúde Materno-Infantil”, serviu de palco para consagrar o projeto desenvolvido por Ana Rita Dias, Ana Gonçalves, Diana Mota e Joana Morais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto galardoado debruçou-se sobre a realidade e os obstáculos vividos pelas puérperas cujos filhos necessitam de ficar internados no Serviço de Neonatologia. A investigação colocou um foco particular nas estratégias e desafios associados à manutenção da lactação ao longo de todo o período de hospitalização dos recém-nascidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comissão organizadora justificou a atribuição do prémio máximo destacando três pilares fundamentais no trabalho das enfermeiras da ULS São João: a elevada qualidade científica do projeto submetido; o caráter inovador da abordagem proposta; o claro compromisso com a otimização contínua da assistência prestada ao binómio mãe-filho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este reconhecimento vem consolidar a aposta dos profissionais da ULS São João no desenvolvimento de cuidados de saúde altamente especializados, humanizados e sustentados pela evidência científica, promovendo um impacto positivo direto nos indicadores de saúde materna e neonatal.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: ULS de São João</p>
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		<item>
		<title>Ameaça invisível: estudo alerta para o avanço das resistências antifúngicas e falhas na vigilância nacional</title>
		<link>https://myginecologia.pt/opiniao/ameaca-invisivel-estudo-alerta-para-o-avanco-das-resistencias-antifungicas-e-falhas-na-vigilancia-nacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 11:25:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As infeções fúngicas continuam a causar cerca de 3,8 milhões de mortes anuais a nível global. Num artigo de opinião assinado pela investigadora Raquel Sabino, do Research Institute for Medicines da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, traça o retrato detalhado desta realidade no nosso país, tendo por base as conclusões do trabalho “Candida and candidiasis in Portugal: [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As infeções fúngicas continuam a causar cerca de 3,8 milhões de mortes anuais a nível global. Num artigo de opinião assinado pela investigadora <strong>Raquel Sabino, </strong>do <em>Research Institute for Medicines</em> da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, traça o retrato detalhado desta realidade no nosso país, tendo por base as conclusões do trabalho “Candida and candidiasis in Portugal: Past situation, current trends and future challenges”. A autora alerta para uma mudança preocupante no perfil epidemiológico nacional: embora a <em>Candida albicans</em> continue a ser o agente mais isolado, assiste-se a uma emergência nítida de espécies não-albicans multirresistentes e com elevada capacidade de contágio hospitalar, como a <em>Candida parapsilosis</em> e a temida <em>Candidozyma auris</em> (ou <em>Candida auris</em>), cujo primeiro caso em Portugal foi isolado em 2023. Cruzando dados recentes de estudos multicêntricos e análises do Instituto Ricardo Jorge (INSA), a especialista expõe as implicações clínicas diretas do consumo desregulado de antifúngicos de venda livre para infeções superficiais (como a candidíase vulvovaginal e onicomicoses) e aponta as principais lacunas do sistema nacional. Em nome do avanço científico e da segurança dos doentes, Raquel Sabino defende a criação urgente de uma rede de notificação obrigatória e de vigilância sistemática, alinhada com as diretrizes globais da Organização Mundial da Saúde (OMS).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A problemática das infeções fúngicas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As infeções fúngicas representam um importante problema de Saúde Pública, embora continuem a ser amplamente subestimadas.&nbsp; Com uma carga global significativa, elevada mortalidade e crescente resistência aos antifúngicos, estas infeções devem ser reconhecidas como uma prioridade, quer a nível nacional quer global.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De facto, no seu contexto mais amplo, estima-se em termos globais que cerca de 6,5 milhões de pessoas desenvolvam anualmente infeções desta etiologia, resultando em aproximadamente 3,8 milhões de mortes por ano, das quais cerca de 2,5 milhões são diretamente atribuíveis à infeção fúngica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar destes números, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que existe uma profunda lacuna de dados, resultante da ausência, em muitos países, de diagnóstico eficiente e de sistemas de vigilância, acompanhados pela subnotificação destas infeções. Esta invisibilidade epidemiológica é um dos principais obstáculos à definição de políticas eficazes para mitigação destas infeções.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Infeções fúngicas causadas por </strong><strong><em>Candida</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As infeções por <em>Candida</em> são atualmente reconhecidas como uma das principais causas de infeção fúngica em humanos, abrangendo desde formas superficiais até infeções invasivas potencialmente fatais. A candidemia, em particular, constitui uma das infeções nosocomiais mais graves, associada a elevada morbilidade, mortalidade e custos hospitalares significativos.&nbsp;As infeções sistémicas causadas por espécies do género <em>Candida</em> têm aumentado nas últimas décadas, principalmente devido ao aumento da esperança média de vida, a expansão do uso de dispositivos invasivos (utilização de cateteres, ventilação mecânica, alimentação parentérica), a multiplicação de terapias imunossupressoras e o crescimento das populações vulneráveis.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estima-se, assim, que cerca de 1,5 milhões de casos de candidemia e candidíase invasiva ocorram anualmente, resultando em aproximadamente 995 mil mortes. A realidade portuguesa reflete estas tendências globais, mas com especificidades que importa analisar criticamente. Estimativas epidemiológicas realizadas em 2017 indicam uma incidência de candidemia de cerca de 2,19 casos por 100 000 habitantes, correspondente a aproximadamente 231 casos anuais. Ainda que estes valores possam parecer relativamente baixos, devem ser interpretados à luz de dois fatores críticos: subnotificação e ausência de sistemas de vigilância sistemáticos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da avaliação dos números associados a este microorganismo, a evolução do perfil epidemiológico de <em>Candida</em> é de extrema relevância. Embora <em>Candida albicans</em> continue a ser a espécie mais frequentemente isolada em Portugal, tal como os outros países, tem-se assistido a uma mudança progressiva do domínio de <em>C. albicans</em> para um cenário mais diversificado, com aumento significativo do número de infeções causadas por espécies não-<em>albicans</em>, como <em>Candida parapsilosis</em> e <em>Nakaseomyces glabratus</em> (anteriormente designada <em>Candida glabrata</em>).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>C. parapsilosis, </em>classificada pela OMS como fungo de prioridade elevada, representa atualmente cerca de 20–25% dos isolados em hemoculturas e apresenta uma prevalência particularmente elevada em regiões como o Sul da Europa (incluindo Portugal, Espanha, Grécia, Itália e Turquia), América Latina, partes da Ásia e Médio Oriente. Já <em>N. glabratus</em> é, a seguir a <em>C. albicans</em>, a espécie de <em>Candida</em> mais frequentemente isolada no Norte da Europa e América do Norte. Estas mudanças epidemiológicas têm implicações clínicas diretas. <em>C. parapsilosis</em>, frequentemente associada a infeções relacionadas com dispositivos médicos, apresenta elevada capacidade de formação de biofilmes que favorecem a sua persistência e transmissão hospitalar e começa já a apresentar resistências adquiridas aos antifúngicos, nomeadamente ao fluconazol. Já <em>N. glabratus</em> caracteriza-se por uma menor suscetibilidade intrínseca ao fluconazol. Estas características dificultam as abordagens terapêuticas convencionais em ambos os casos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais preocupante ainda é a emergência de espécies multirresistentes, como <em>Candidozyma auris </em>(anteriormente designada por <em>Candida auris</em>). Este microrganismo, já classificado como ameaça global, apresenta frequentemente resistência intrínseca a múltiplas classes de antifúngicos e capacidade de causar surtos hospitalares. Em alguns casos, os isolados mostraram resistência simultânea a fluconazol, anfotericina B e equinocandinas, reduzindo drasticamente as opções terapêuticas. Classificada pela OMS como fungo de prioridade crítica, <em>C. auris</em> apresenta taxas de mortalidade que podem atingir 30–60% em candidemia. Desde a sua identificação, disseminou-se rapidamente, com mais de 84 000 casos reportados em 82 países até 2025. Na Europa, a situação também é preocupante: mais de 4 000 casos foram reportados entre 2013 e 2023. O European Center for Disease Control (ECDC) sublinha que estes números representam apenas uma fração do problema real, dada a ausência de vigilância sistemática em muitos contextos. Em Portugal, foram reportados, até ao momento, quatro casos ao ECDC. A vigilância realizada em unidades de cuidados intensivos (UCI) de dois hospitais portugueses da região de Lisboa e Vale do Tejo entre 2020 e 2022 não detetou a presença de <em>C. auris</em>. Em 2023, foi reportado o primeiro caso de <em>C. auris</em> isolada em Portugal. O doente tinha sido transferido de Angola para uma UCI de um hospital de Lisboa para realização de um transplante hepático, após uma infeção por SARS-CoV-2. Neste caso, não foi possível determinar se <em>C. auris</em> constituía o agente etiológico da infeção ou se correspondia apenas a colonização. No mesmo ano, num hospital de referência do norte de Portugal, foram obtidos oito isolados de <em>C. auris</em> epidemiologicamente relacionados, provenientes de doentes colonizados e infetados, sugerindo um potencial risco para a saúde pública, em consonância com a tendência observada noutros países da União Europeia. Tal como nos restantes países europeus, a deteção e a caracterização de <em>C. auris</em> não é realizada de forma prospetiva na maior parte dos casos, o que contribui para uma subdeteção e subnotificação. Na ausência de um sistema de vigilância implementado, a verdadeira incidência da infeção nos diferentes contextos assistenciais permanece desconhecida. Além disso, os dados nacionais relativos à presença ambiental de <em>C. auris</em> em ambiente hospitalar e noutros são ainda escassos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a candidemia representa a face mais dramática do problema, as infeções superficiais constituem a sua dimensão mais ampla e frequentemente negligenciada. A nível global, estima-se que cerca de 75% das mulheres terão pelo menos um episódio de candidíase vulvovaginal ao longo da vida, e que 138 milhões sofram de formas recorrentes anualmente. Em Portugal, a candidíase vulvovaginal apresenta prevalências significativas, podendo atingir cerca de 20,5% nas mulheres sintomáticas. Num estudo publicado recentemente pelo Instituto Ricardo Jorge (INSA), analisaram-se, no período compreendido entre 2019 e 2025, 582 isolados de <em>Candida</em> provenientes de exsudados vaginais.&nbsp; Em 86,9% dos casos foi isolada <em>C. albicans</em>, seguida de <em>C. parapsilosis</em> (4,4%), <em>N. glabratus</em> (3.7%), <em>Clavispora</em> <em>lusitaneae</em> (anteriormente designada por <em>Candida lusitaneae</em>) (1,2%), e <em>Meyerozyma guilliermondii</em> (anteriormente designada por <em>Candida guilliermondii</em>) (0,8%). Relativamente às onicomicoses causadas por <em>Candida</em>, e de acordo com um estudo multicêntrico realizado pela Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, abrangendo o período de 2014 a 2016, dos 2375 agentes fúngicos isolados, 13% eram leveduras, sendo <em>C. albicans</em> e <em>C. parapsilosis</em> as espécies mais frequentemente isoladas, com frequências de 38,5% e 22%, respetivamente. Já no estudo publicado recente pelo INSA, do total de 409 isolados de <em>Candida</em> provenientes de unhas, 59,4% foram identificadas como <em>C. parapsiloisis</em>, 11,0% como <em>C. albicans</em> e 9.9% como <em>M. guilliermondii</em>. Foram ainda isoladas, com menor frequência, outras espécies de <em>Candida</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resistência aos antifúngicos em </strong><strong><em>Candida</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No que respeita à problemática das resistências aos antifúngicos, para além do aumento progressivo da prevalência de espécies não-<em>albicans</em> (algumas com suscetibilidade reduzida ou resistências intrínsecas, por vezes a mais de uma classe de antifúngico, como já discutido anteriormente), têm-se também verificado variações geográficas importantes não só na distribuição de algumas espécies, mas também na frequência da resistência aos antifúngicos, como se verifica por exemplo em <em>C. parapsilosis</em>. De facto, desde cerca de 2018, múltiplos estudos internacionais têm descrito surtos hospitalares causados por estirpes de <em>C. parapsilosis </em>resistentes ao fluconazol. Estes surtos estão frequentemente associados à transmissão clonal do agente e persistência prolongada dos doentes em ambientes hospitalares, mesmo sob medidas rigorosas de controlo de infeção. Nos estudos apresentados, a frequência de resistência ao fluconazol é variável, mas atinge valores muito elevados (&gt;60%) em Espanha e na Turquia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, embora a frequência de resistência ao fluconazol em <em>C. parapsilosis </em>ainda seja moderada, os dados mais recentes evidenciam uma clara emergência dessa resistência. Um estudo baseado na análise de isolados recolhidos entre 2003–2007 e entre 2017–2024, demonstrou uma mudança temporal marcada pela ausência de resistência nos isolados mais antigos (2003-2007), mas observou-se uma emergência recente de resistência com uma frequência de ~8,5% (2017–2024), estando esta resistência associada à presença de mutações Y132F e R398I no gene ERG11.&nbsp; Foram ainda detetadas alterações adicionais em genes associados a bombas de efluxo (MDR1, CDR1), sugerindo mecanismos combinados de resistência. A resistência ao fluconazol em <em>C. parapsilosis</em> constitui atualmente um desafio emergente de saúde pública, com impacto clínico significativo e limitação das opções terapêuticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra preocupação associada à emergência de resistências em <em>Candida</em> prende-se como facto de alguns dos antifúngicos utilizados no tratamento das infeções superficiais por causadas por <em>Candida</em> não requerem prescrição médica, nem avaliação clínica, facilitando o acesso aos mesmos e promovendo a sua utilização autónoma. Consequentemente, a sua utilização potencialmente inadequada pode contribuir para o aumento da pressão seletiva sobre fungos do género <em>Candida</em> e aumento das resistências antifúngicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Considerações pessoais e perspetivas futuras</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas as questões apresentadas até este momento mostram a pertinência da realização de estudos nesta temática. Em Portugal, para além de estudos clínicos, estão a ser desenvolvidas várias linhas de investigação quer em biologia fundamental quer em inovação e investigação aplicada. Estas áreas de desenvolvimento incluem a análise da estrutura dos biofilmes, estudos genómicos, identificação de novos fatores de virulência, mecanismos de patogénese, desenvolvimento e avaliação de compostos com atividade antifúngica e novas estratégias terapêuticas. Este crescente envolvimento da comunidade científica portuguesa reflete a importância de <em>Candida</em> como agente patogénico e o compromisso em reduzir a morbilidade e mortalidade associadas às infeções por este fungo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar destes avanços, Portugal continua a apresentar limitações na disponibilidade de dados nacionais sobre a incidência das candidíases, a distribuição das espécies e os perfis de resistência antifúngica. A ausência de notificação obrigatória das infeções fúngicas e a falta de estudos de abrangência nacional dificulta uma caracterização epidemiológica detalhada. Adicionalmente a estas necessidades, a implementação de métodos de diagnóstico rápido e identificação molecular, a utilização sistemática de dados locais na decisão terapêutica e a integração de abordagens interdisciplinares no contexto “One Health” são essenciais para mitigar a elevada prevalência destas infeções, especialmente num contexto de mudanças demográficas e das práticas de cuidados de saúde. Estas medidas estão alinhadas com recomendações internacionais e nacionais, nomeadamente as apontadas pelo plano estratégico (<em>Blueprint</em>) da OMS e pela Associação Portuguesa de Micologia Médica, que enfatizam a necessidade de investimento em diagnóstico, investigação e sistemas de vigilância para conter esta ameaça emergente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências bibliográficas</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Denning DW. Global incidence and mortality of severe fungal disease. Lancet Infect Dis. 2024;24:e428–38,http://dx.doi.org/10.1016/S1473-3099(23)00692-8.16&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escribano P, Guinea J. Fluconazole-resistant Candida parapsilosis: anew emerging threat in the fungi arena. Front Fungal Biol. 2022;3,http://dx.doi.org/10.3389/ffunb.2022.1010782, 1010782.17.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">European Centre for Disease Prevention and Control. Survey on the epidemiological situation, laboratory capacity and preparedness for Candidozyma (Candida)auris, 2024. ECDC; 2025.18</p>



<p class="wp-block-paragraph">Henriques J, Mixão V, Cabrita J, Duarte TI, Sequeira T, Cardoso S, et al. Candidaauris in intensive care setting: the first case reported in Portugal. J Fungi (Basel).2023;9:837, <a href="http://dx.doi.org/10.3390/jof9080837.25">http://dx.doi.org/10.3390/jof9080837.25</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Miranda IM, Gonc¸ alves MFM, Pinheiro D, Hilário S, Paiva JA, Guimarães JT, et al. First report of Candida auris candidemia in Portugal: genomic charac-terisation and antifungal resistance-associated genes analysis. J Fungi (Basel).2025;11:716, <a href="http://dx.doi.org/10.3390/jof11100716">http://dx.doi.org/10.3390/jof11100716</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Papuc AM, Veríssimo C, Simões H, Toscano C, Gomes JP, Mixão V,et al. Phenotypic and genomic characterization of azole resistancein Portuguese Candida parapsilosis isolates. Front Fungal Biol. 2025;6,http://dx.doi.org/10.3389/ffunb.2025.1713961, 1713961.34</p>



<p class="wp-block-paragraph">Papuc AM, Pimenta M, Simões H, Verissímo C, Sabino R, Gargaté MJ. Infeções fúngicas: estudo retrospetivo sobre casos de infeções e colonização por leveduras diagnosticados no INSA entre 2019 e 2025. Boletim Observações. Junho 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pereira MIR [Tese de mestrado] A prevalência de Candida spp no Centro Hospitalarda Cova da Beira; 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rato M, Costin A, Furtado C, Sousa C, Toscano C, Veríssimo C.Epidemiology of superficial fungal infections in Portugal: 3-year review (2014–2016). J Port Soc Dermatol Venereol. 2018;76:269–78,http://dx.doi.org/10.29021/spdv.76.3.910.42</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabino R, Antunes F, Araujo R, Bezerra AR, Brandão J, Carneiro C, et al. Addressing critical fungal pathogens under a One Health perspective: key insights fromthe Portuguese Association of Medical Mycology. Mycopathologia. 2025;190:73,http://dx.doi.org/10.1007/s11046-025-00981-3.44</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabino R, Verissímo C, Brandão J, Martins C, Alves D, Pais C, et al. Serious fungal infections in Portugal. Eur J Clin Microbiol Infect Dis. 2017;36:1345–52,http://dx.doi.org/10.1007/s10096-017-2930-y&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">World Health Organization. WHO fungal priority pathogens list to guide research, development and public health action. Geneva: World Health Organization; 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">World Health Organization. Blueprint for strengthening responses to fungal disease and antifungal resistance: implementation guidance. Geneva: World Health Organization; 2026. ISBN: 978-92-4-012252-9.</p>
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		<title>Obstipação na mulher: uma condição frequente, multifatorial e frequentemente desvalorizada</title>
		<link>https://myginecologia.pt/atualidade/obstipacao-na-mulher-uma-condicao-frequente-multifatorial-e-frequentemente-desvalorizada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 15:07:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">A obstipação crónica continua a ser uma das queixas gastrointestinais mais frequentes na prática clínica, afetando milhões de pessoas em todo o mundo e assumindo particular relevância na saúde da mulher. Apesar da elevada prevalência e do impacto significativo no bem-estar físico e emocional, continua a ser uma condição frequentemente subvalorizada, atrasando o diagnóstico, a abordagem adequada e a melhoria da qualidade de vida das doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres apresentam uma prevalência de obstipação significativamente superior à dos homens, numa proporção aproximada de 3:1<sup>(1)</sup>, realidade influenciada por múltiplos fatores hormonais, fisiológicos e comportamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo das diferentes fases da vida feminina, incluindo gravidez<sup>(2)</sup>, pós-parto<sup>(3)</sup> e período pós-menopausa<sup>(4)</sup>, esta condição tende a assumir maior expressão clínica, podendo manifestar-se através de dificuldade evacuativa persistente, sensação de evacuação incompleta, distensão abdominal, desconforto gastrointestinal e impacto na rotina diária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos indicam que, durante a gravidez<sup>(2)</sup>, as alterações hormonais e a diminuição da motilidade intestinal contribuem frequentemente para o aparecimento ou agravamento da obstipação. Também no período pós-parto<sup>(3)</sup>, esta condição continua a ter um impacto relevante, sendo muitas vezes associada a desconforto físico, dor e limitação funcional. Já nas mulheres pós-menopausa, a obstipação continua a ser frequentemente reportada, com impacto relevante no conforto e qualidade de vida<sup>(4)</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da sua elevada frequência, muitas mulheres continuam a normalizar os sintomas ou a evitar falar sobre o tema, adiando a procura de aconselhamento junto dos profissionais de saúde. Neste contexto, a sensibilização para a obstipação feminina e para a importância de uma abordagem terapêutica adequada assume um papel particularmente relevante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As recomendações europeias atuais identificam o macrogol como terapêutica de primeira linha para o tratamento da obstipação crónica<sup>(5)</sup>. O macrogol 4000 atua através de um mecanismo osmótico, promovendo a retenção de água no lúmen intestinal, aumentando a hidratação das fezes e facilitando a evacuação sem provocar habituação<sup>(6)</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da eficácia terapêutica, fatores como tolerabilidade, palatabilidade, conveniência e adesão ao tratamento assumem hoje uma importância crescente, sobretudo numa condição frequentemente recorrente e de evolução prolongada. Formulações sem eletrólitos<sup>(7,8)</sup> e praticamente isentas de sódio<sup>(6)</sup> podem representar uma opção particularmente relevante em populações específicas, incluindo grávidas, mulheres a amamentar e doentes com necessidade de restrição de sódio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste enquadramento, Casenlax® disponibiliza uma abordagem baseada em macrogol 4000, associando eficácia comprovada, elevada tolerabilidade<sup>(7)</sup> e praticidade de utilização. A nova solução oral pronta a tomar<sup>(6)</sup> surge como uma opção adaptada às necessidades do quotidiano, respondendo à crescente procura por soluções simples, convenientes e facilmente integráveis na rotina diária das doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Promover maior consciencialização para a obstipação feminina e para o impacto desta condição nas diferentes etapas da vida da mulher continua a ser essencial para uma abordagem mais próxima, informada e centrada na qualidade de vida.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li class="has-small-font-size">SUARES, Nicole C.; FORD, Alexander C. <em>Prevalence of and risk factors for chronic idiopathic constipation in the community: systematic review and meta-analysis</em>. The American Journal of Gastroenterology. 2011;106(9):1582–1591. doi:10.1038/AJG.2011.164.</li>



<li class="has-small-font-size">SALARI, Nader et al. <em>Global prevalence of constipation during pregnancy: a systematic review and meta-analysis</em>. BMC Pregnancy and Childbirth. 2024;24(1):836. doi:10.1186/S12884-024-07057-Y.</li>



<li class="has-small-font-size">KURONEN, M. et al. <em>Pregnancy, puerperium and perinatal constipation &#8211; an observational hybrid survey on pregnant and postpartum women and their age-matched non-pregnant controls</em>. BJOG. 2021;128(6):1057–1064. doi:10.1111/1471-0528.16559.</li>



<li class="has-small-font-size">OLIVEIRA, Simone Caetano Morale de et al. <em>Constipation in postmenopausal women</em>. Revista da Associação Médica Brasileira. 2005;51(6):334–341. doi:10.1590/S0104-42302005000600017.</li>



<li class="has-small-font-size">SERRA, J. et al. <em>European Society of Neurogastroenterology and Motility guidelines on functional constipation in adults</em>. Neurogastroenterology &amp; Motility. 2019;00:e13762.</li>



<li class="has-small-font-size">RCM Casenlax® Solução Oral em Saquetas / RCM Casenlax® Pó para Solução Oral.</li>



<li class="has-small-font-size">WILLIAMSON, K. <em>Macrogol (polyethylene glycol) 4000 without electrolytes in the symptomatic treatment of chronic constipation: a profile of its use</em>. Drugs &amp; Therapy Perspectives. 2018;34:300–310.</li>



<li class="has-small-font-size">KATELARIS, P. et al. <em>Comparison of the effectiveness of polyethylene glycol with and without electrolytes in constipation: a systematic review and network meta-analysis</em>. BMC Gastroenterology. 2016;16:42.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Consulte as IECRCM <a href="https://myginecologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/casenlax_iecrcm_dosagenscompiladas.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">PT-CASLA-0052.26</p>
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